quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A «GUERRA» DAS DESIGNAÇÕES


"CãoPincha disse...
Estás a seguir a discussão e a aceitação quase completa, com excepção da Igreja, de casamentos homossexuais? Às vezes, chegamos a pensar que os psicólogos são rígidos e pouco espertos. O que dizes a isso?"



Caros Senhores CãoPincha.

Li o vosso comentário do dia 11 de Fevereiro acima citado e prometi responder logo que tivesse possibilidade. Vou fazê-lo apenas com base na ciência e na ética que tento praticar na minha qualidade de psicólogo. Consultei também o vosso blog que diz algumas coisas com as
quais concordo. Estas discussões que agora surgem sobre temas de pouco interesse para a nossa economia e desenvolvimento parecem-me, mesmo como psicólogo, uma luta política ou um braço-de-ferro entre duas ideologias e nada mais do que isso! Mas vamos ao que mais interessa no momento.

No meu post CASAMENTOS, UNIÕES E HOMOSSEXUALIDADE, de 10AGO2008, que agora foi comentado, faço a distinção entre casamento e união do mesmo modo como a faço entre neurose e psicose. Digo mais que “não sou contra as uniões” e acrescento que “para mim, algumas situam-se muito mais no espírito do verdadeiro casamento”. Contudo, quando falo em “um grau de ponderação exigível no casamento” refiro-me à diferença de sexos. A diferença de sexos existe e é uma realidade que até se tenta repor quando a natureza «prega partidas». Quando não é possível, toda a gente aceita (ou deveria aceitar) os factos com toda a
naturalidade. Não vale a pena diagnosticar e «tratar» a neurose como se fosse uma psicose ou vice-versa. São duas entidades nosológicas diferentes que não vale a pena confundir mas que têm de ser compreendidas na sua essência e «tratadas» como tal. Ninguém se zanga por isso, mas talvez houvesse quem se zangasse se houvesse confusão...

Casamento é uma união sexual entre indivíduos de sexo diferente (não digo oposto). Isto não pressupõe que não devam existir uniões entre indivíduos do mesmo sexo, com os mesmos direitos cívicos, económicos, financeiros, legais ou quaisquer outros mais diversificados que os casamentos heterossexuais possam ter. Tudo isto não tem coisa alguma a ver com a moral mas apenas com a ordem natural das coisas. Nada tem a ver com a religião mas sim com as leis da natureza. Se assim não pensássemos, não haveria direito a patologias, doenças, deficiência, reabilitação, reeducação ou integração.
Se tudo isto se passa apenas por causa da designação «casamento», qual a razão de não se querer
confundir coronel com tenente-coronel ou major com sargento? E se chamássemos otorrinolaringologista a um estomatologista ou a um gastrenterologista? Se tratássemos um biólogo como veterinário que resultado iríamos ter? Ambos lidam com animais.
Por mim, contem com todo o apoio a uniões que necessitem de legislação que dê estabilidade e apoio à sua sobrevivência, especialmente se trouxer a felicidade aos interessados e bem-estar à sociedade. A protecção dos interesses específicos nada tem a ver com as designações. E se até ao mesmo objecto estamos habituados a dar designações diferentes, qual a razão de dar o mesmo nome a coisas diferentes?

Senão, vamos eliminar as designações de amendoim, alcagoita, ervilhana, ginguba e mancarra ao mesmo comestível, assim como podemos também proibir os nomes de bilbaine e trauliteira dados e um simples boné.
Toda esta discussão é completamente ilógica e só serve para exacerbar os ânimos de quem discute e «quer ganhar». Não sei o quê. Porém, não me obriguem a ser homossexual porque não me dá jeito algum.
Há anos, até me revoltei contra a estupidez de «irradiar» um técnico excelente de um «serviço público» logo depois do célebre «25 de Abril», só por ser homossexual, mas com uma justificação oficial diferente. Provavelmente, um dos que o tentou eliminar, ambicionaria a «vaga» que ele deixaria com a sua saída!
Posto isto, aceito o vosso reparo de que os psicólogos parecem, às vezes, ser rígidos e pouco espertos, mas julgo que, neste caso, não existe qualquer rigidez de pensamento mas apenas a exigência duma clarificação de conceitos. E isso não quer significar rigidez de pensamento ou falta de «esperteza».

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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1 comentário:

Compincha disse...

É, de facto, «guerra». Já estava à espera do tipo de resposta dada que ainda não me convnceu. Esperemos por melhores dias. Oxalá que os portugueses «abram os olhos» a tempo. Muita coisas como a Justiça, a Economia a Corrupção as Prepotências, os Favoritismos, etc. têm de ser franca e abertamente discutidos.
Não seria melhor um referendo?