sábado, 7 de fevereiro de 2009

OS BOATOS


“O que dirá um psicólogo acerca das confusões em que estamos metidos para além das trapalhadas económicas e financeiras que estamos a atravessar e que necessitam de soluções sensatas, firmes, rápidas e não-interesseiras?
João Abelhudo”


Caro senhor João Abelhudo,
Recebi ontem o seu longo mail e só transcrevi o essencial ao qual vou tentar responder imediatamente porque é um assunto que me interessa e preocupa também como cidadão.
Vendo outros blogs, descobri que o compincha.blogspot.com faz considerações sobre muitos assuntos políticos e até pondera ir votar com o voto riscado, provavelmente, para dizer que não confia nos políticos portugueses.
A única maneira que eu tenho de responder à sua carta com sinceridade é dizer que apenas devo poder dar alguma explicação relacionada com a Psicologia Social. Tudo o que não se situar neste âmbito, é uma especulação política «pessoal e intransmissível» porque eu também não posso deixar de me preocupar com esta situação política, económico-financeira e de crise de valores éticos.
Como já disse, vi em alguns blogs intervenções relacionadas com a nossa governação e com a dos EUA. Também vi falar acerca dos governantes e das oposições. A partir de tudo isto, uma análise rápida e preliminar de vários factos e notícias ambiguidades. Propõem soluções milagrosas que, passado algum tempo, não dão o efeito proposto e desejado. Actuam lentamente e de forma inadequada, parecendo às vezes, que estão a esconder qualquer coisa ou a desculparem-se com justificações disparatadas.
Proporciona a oportunidade de verificar que os nossos governantes falam muito, dizem muitas coisas bonitas, pouco precisas e sujeitas a confusões e imprecisões.
A análise sobre o nosso sistema de educação é um dos exemplos.
É da OCDE? É com técnicos da OCDE? É com modelos da OCDE? Ou é outra coisa qualquer e a sigla OCDE foi utilizada para «espantar o burguês»?
Por exemplo, num outro contexto social do nosso mundo ocidental, duas individualidades propostas pessoalmente pelo Presidente Barack Obama para o seu elenco governativo foram por ele, imediatamente, postas de lado no momento em que se soube que não tinham pago os seus impostos. Além disso, o Presidente assumiu o seu erro e não apresentou justificações.
A Europa também parece estar a querer seguir algumas das ideias agora discutidas e difundidas. Em Portugal seria assim? Contudo, não acredito que Bush teria reagido do mesmo modo! O Durão Barroso que o diga.
Os casos de Freeport, Casa Pia, Apito Dourado, Furacão e outros que tais, apresentam muitas «informações» acerca do assunto com os principais intervenientes ou visados a virem imediatamente à liça apresentar justificações, desmentidos, comunicados, etc., que nada de concreto dizem a não ser que eles são inocentes e estão a ser vítimas de calúnias, chantagens e campanhas multicolores, quando não são «cabalas».

Se é verdade o que eles dizem, qual a razão de negar os factos em vez de os relatar em primeira mão? Nós saberíamos avaliar a «verdade» que eles proclamam. Tudo isto conduz a muitas dúvidas. O que aconteceu e continua a acontecer com Vale e Azevedo? Estas dúvidas fazem com que as pessoas pensem: “Se foi assim na situação anterior, não será o mesmo na actual?” Chega-se assim a fazer uma atribuição baseada, provável e eventualmente, em dados pouco fidedignos e erróneos.
Além disso, como a maioria destes factos se relaciona com assuntos que interessam a todos os cidadãos e os intervenientes são do «domínio público» (governantes, figuras públicas, pessoas «distintas», etc.), as dúvidas assim provocadas fazem com que a percepção fique distorcida e ocasione boatos que se vão propagando, dando a impressão de que existe interesse que certos factos propalados no momento sejam admitidos como verdades as quais se desejam esconder do público.

Deste modo, a intensidade desses boatos vai aumentando em porção directa com o interesse na notícia a circular e com a ambiguidade da mesma. Nestes termos, a intensidade do boato é proporcional à ambiguidade da notícia, multiplicada pelo interesse que a mesma tem no momento.

Se nos quisermos referir ao nosso momento actual, uma das notícias que têm o maior interesse para o público em geral é o «caso do FREEPORT» porque um dos envolvidos é o Primeiro-Ministro e a sua competência e honorabilidade são importantes para todos os portugueses. As notícias que circulam acerca disso com omissões, comunicados, desmentidos, «defesas gratuitas», acusações de ataques pessoais, etc. são tão forçadas e ambíguas que, por si só, aumentam a intensidade do boato.
Ninguém melhor do que o próprio sabe se isso é boato ou não. Não basta apenas ele afirmar que não.

É necessário que o demonstre e que as pessoas estejam convencidas disso. Nesta situação concreta, no caso afirmativo das notícias postas a circular serem apenas boatos, bastava que o próprio dissesse publicamente, apenas uma vez, que tudo era mentira e que desejava que a Justiça esclarecesse os factos com toda a celeridade, pondo-se à total disposição da mesma.
E em jeito de conclusão podia acrescentar, à guisa de mote dado há poucos anos: “E agora, deixem-me trabalharsem nunca mais responder a qualquer pergunta sobre o assunto.

Necessitamos de políticos e governantes competentes, honestos, corajosos e eficazes. E cada vez que acredito num, passado algum tempo, apanho com um balde de água fria na «moleirinha».
Da maneira como as coisas estão a correr, a intensidade do boato, se de facto não for falso, pode ir corroendo a «verdade».
E depois como será?

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.
   

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3 comentários:

Anónimo disse...

Deixem-me rir. Os boatos até servem para dar indicações de que uma pessoa trabalha muito!
E, a propósito, quem quer trabalhar?
Para os outros!!!

CâoPincha disse...

Já descobriste que o PM está agora mais comedido neste assunto e que a Procuradora Adjunta, com o seu sorriso simpático, é que vai escorregando de vez em quando?

Anónimo disse...

Achas que os políticos vão mudar de atitude?
E os meios de comunicação social vão querer perder as audiências?
E as pessoas honestas e «democráticas» poderão prosperar na governação?
Quando é que os perús terão dentes?
O mais certo é eu também votar com uma cruz senão conseguir, entre a fruta podre, uma que ainda esteja comestível, em parte. O CãoPincha tem razão.