Qual a sua opinião?”
A minha resposta, sem conhecer esse estudo, mas vendo a reportagem apresentada na televisão, é muito simples e baseia-se nos conhecimentos sobre a
modificação do comportamento.
1. Qualquer ser animal e especialmente o humano, necessita de reforço, isto é,
satisfação. Por isso, procura obtê-lo da maneira que lhe é mais fácil e económica. Em cada momento, cada um sente essa satisfação da maneira que lhe é peculiar, isto é, através de elogios, carinhos, honras, dinheiro, reconhecimento do seu trabalho, etc., que se traduz em
reforço.
2. Qualquer criança necessita de atenção, carinho e afectividade e isto até se verifica nos restantes seres animais. É por isso que as crias ficam nos primeiros tempos de vida, com os progenitores ou com a sua espécie até se autonomizarem e se tornarem adultos, obtendo destes os reforços adequados.
3. Se não houver o carinho, o afecto e a atenção que proporcionem reforço, o ser humano pode eventualmente conseguir obter esse reforço que lhe é necessário através de diversas acções tais como comer, brincar, maltratar os outros, imaginar situações fantasiosas, fazer disparates para chamar a atenção, etc.
4. O reforço obtém-se quando qualquer das acções equivalentes às enunciadas tiverem bom resultado e derem satisfação. É o
reforço positivo.
5. Quando situações semelhantes se repetirem e continuarem a dar reforço, especialmente o de
razão variável ou aleatório, é provável que exista uma
aprendizagem cada vez maior e mais alienante porque funciona para dar satisfação, que não é conseguida de outro modo.
6. Quando a falta da mãe ou o pouco contacto com ela reduzir o carinho, o afecto e a atenção necessárias, a comida pode funcionar em sua
substituição, especialmente porque os pais, muitas vezes, dão guloseimas em vez do carinho e afectividade que são imprescindíveis.
Assim, a falta de atenção dos pais pode ser substituída por presentes, por uma boa refeição ou guloseimas.
Também, o exemplo de consumo de guloseimas pelos pais pode muitas vezes, servir como um
modelo a ser
imitado.
Isto acontece frequentemente, com os pais que dizem aos filhos que os mesmos fazem mal, mas dão-lhes estas comidas, até com os
modelos que eles próprios proporcionam. Pode até haver a possibilidade de os filhos tentarem
identificar-se com eles e até tentar superá-los.
Por isso, não admira que a obesidade tenha vindo a aumentar ao longo do tempo e que seja maior nos lares em que a «
ausência» ou «
desapego» dos pais em relação aos filhos seja também maior do que em qualquer outro contexto.
-- Se os pais mantiverem um bom contacto com os filhos;
-- se lhes derem conselhos acerca duma alimentação saudável;
-- se lhes proporcionarem exemplo e modelo adequados através dos seu comportamento;
-- se elogiarem os filhos e lhes prestarem
maior atenção sempre que tiverem uma
alimentação saudável;
é muito provável que esta correlação de chamada «ausência das mães» possa ser substancialmente reduzida, especialmente se o pai também «entrar no jogo» de educar os filhos com
bons modelos e reforços.
Muitas vezes não é só a ausência, mas a falta de paciência para «aturar os filhos», depois de um dia de trabalho e «chatices», que ocasione o «desapego».
Por este motivo, todos os
Governos, especialmente na Europa, têm de pensar muito bem no «equipamento social» chamado
família dando-lhe boas condições para procriar e
educar os filhos saudavelmente. O tempo e a qualidade para o bom aconpanhemento dos filhos pode ser crucial para o desenvolvimento saudável duma nação.
Se isso não acontecer e se este facto não for tomado em conta, em pouco tempo poderemos ter um mundo ocidental alienado, tecnologicamente avançado, delinquente, obeso e viciado.
Não se julgue que os vícios da droga, do álcool, da ganância, incluindo o de defraudar os outros, ou qualquer outro, como os actuais
jogos de computador ou da lotaria não se situam nestes parâmetros. Basta ouvir as televisões a apresentarem outros estudos (
informação dada ontem na televisão), que tiram conclusões a jusante como os efeitos que esses vícios ou alienações ocasionam. É necessário descobrir quais as
causas que provocam os efeitos, que é essa
alienação ou vício. As pessoas vão buscar a satisfação naquilo que conseguirem fazer melhor e mais rapidamente para se sentirem felizes, embora não se possa dizer que o consigam ser, de facto.
A insatisfação sentida pelos que praticam
actos desviados moral e financeiramente,
são o reflexo disso.
Estamos todos inseridos numa cultura que prevalece como uma norma social a seguir. Não nos é estranho ver realçados os valores do dinheiro da aparente beleza, da confusão da satisfação da felicidade com os bens materiais e financeiros, privilégios e honrarias. Nesta cultura, as pessoas que não conseguem obter aquilo que a sociedade realça como fins a atingir, sente-se frustrada. Para obter a sensação de vencer, ensaia diversas actuações até imaginar que está a conseguir sair vencedora segundo os cânones sociais estabelecidos. Entretanto, foi executando comportamentos «desviados» que proporcionaram uma aprendizagem tão vincada e a longo prazo que é difícil de ser desaprendida com facilidade e até pode prejudicar a boa saúde física e mental. Esta actuação não é o resultado de um dom ou de uma predisposição inata mas sim duma capacidade adquirida com a aprendizagem naquela sociedade.
Senão, vejamos o que acontece em muitas sociedades primitivas em que a «gordura» ou a «competição» não é valorizada mas até é desaconselhada.
Para tanto, a «
educação» é extremamente importante mesmo nas comunidades animais selvagens, onde as crias ficam muito tempo com os progenitores. Será que o mesmo acontece agora nos aglomerados humanos primitivos? E se olharmos para os «
civilizados» podemos dizer o mesmo?
Tudo isto está cientificamente enquadrado e explicado em linguagem simples no livro da
JOANA e nos cinco pequenos volumes intitulados
COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO, da Plátano Editora (
agora, F), bem como no volume
SAÚDE MENTAL sem psicopatologia, da Calçada das Letras.
Diversos
posts anteriores trataram deste assunto respondendo a várias perguntas feitas pelos nossos interlocutores ou comentadores.
Com o contacto, cada vez mais reduzido estabelecido pelos pais (
pai e mãe) com os filhos, é durante este importante tempo de educação que se adquirem muitos vícios que só tardiamente são «estudados» para se descobrirem os seus efeitos nocivos.
Depois, surgem as propostas para os combater com medidas extraordinárias de maior envergadura e menor eficácia do que as possíveis
numa educação saudável desde a nascença, pelo menos, até à puberdade.
Espero que tenha conseguido dar a resposta possível ao meu comentador
anónimo, a quem agradeço
a colaboração prestada com o seu comentário oportuno.
Ver o post
LIVROS DISPONÍVEIS.
Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através
de LIVROS…» (R), destinado a orientar os
interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção
social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de
especialistas.
Consultou todos os links mencionados neste post?
Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.
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