sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

OS «ACASOS» PODEM COMPENSAR ?


D. Esmeralda,

Li ontem o seu comentário ao meu post DESOBEDIÊNCIA? e hoje acabei de receber a sua carta que mais me parece uma proposta de solução do «caso» do seu filho do que uma pergunta qualquer. Por este motivo, vou inverter os papéis e transcrevê-la a seguir quase na íntegra, como se fosse a minha proposta de solução.
Espero que, com o vosso empenho e com o contacto que estão a manter com o Antunes, tudo continue a «ser assim» tal como descreve. Não existe qualquer outra pessoa, por mais especializada que seja, que possa substituir a nossa colaboração e empenho. Isto até se verifica na recuperação das doenças orgânicas. Que seja por longo tempo e, se encontrarem os avós da Cidália, aproveitem também a companhia deles.
O Antunes é um velho amigo meu que, através dum contacto com outro quase amigo dos dois e
vizinho de familiares do Antunes, reencontrei depois de muitíssimos anos.
No vosso caso, o livro que vai ler (PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?), os da modificação do comportamento e os da «Joana» são os mais importantes. Verifiquem que até uma criança pode aplicar as técnicas de modificação do comportamento se for bem orientada e apoiada, especialmente a técnica do reforço do comportamento incompatível.Como têm contacto com o Antunes peçam-lhe a revista «Conhecer a Pessoa», de 1983, leiam o artigo «Os Encontros do Acaso e os Caminhos da Vida», e descubram a maneira de aproveitar as oportunidades de maneira criativa. Oxalá que acontecesse o mesmo com a nossa economia e com o nosso eterno atraso em relação à Europa e ao resto do mundo.
Pode ser que o «encontro» do seu marido com a filha do Antunes tenha sido um feliz acaso capaz de mudar toda a vossa vida.
Tirem bom proveito da situação. A sua carta vem a seguir.
Boa sorte.
Mário de Noronha

“Há dias, tentei fazer um comentário acerca da resposta que deu no seu post DESOBEDIÊNCIA?, mas não consegui publicá-lo. Não sei se conseguirei, mas vou escrever-lhe esta carta, que o acontecimento bem merece.
Como eu tinha uma consulta médica na semana passada, o meu marido teve de ir buscar o filho à escola.
Quando chegou a vê-lo, aproximou-se e reparou que ele se despedia duma rapariga que tinha um livro na mão e parecia estar à espera de alguém.
Ao abeirar-se do filho e da rapariga com quem ele falava, verificou que ela tinha na mão o livro
PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?, que parecia já muito «usado».

Aproximou-se dela, cumprimentou-a e perguntou-lhe o que fazia com aquele livro na mão, visto que ele já o tinha tentado comprar, no Porto, mas não conseguira. A rapariga informou-o que o livro era para emprestar a uma amiga, como muitas vezes fazia, e que o pai tinha alguns exemplares em casa, porque era muito amigo do autor do livro. Entretanto, quando a mãe dela chegou, o meu marido teve oportunidade que ela o esclarecesse que o interlocutor principal do livro citado era seu marido e que no dia seguinte, Quarta-feira, ele iria à escola buscar a filha. Era assim todas as semanas, porque ela aproveitava essa tarde para estar num «programa» de apoio a crianças e o marido passava a manter uma ligação mais íntima com a filha. Era bom que assim acontecesse para além dos fins-de-semana.
-- Já que está tão interessado no livro porque não fala amanhã com o meu marido? – perguntou e

acrescentou -- vou informá-lo do seu interesse pelo livro.
No dia seguinte, o meu marido quis ir buscar o filho e encontrou o Sr. “?” Antunes.
Através dele, que lhe ofereceu um exemplar desse livro, soube que o principal interlocutor do mesmo era ele próprio e que estava à espera que fossem publicados outros dois, muito mais importantes e já terminados:
«ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (Desequilíbrio psicológico? A auto-terapia possível)» e «EU TAMBÉM CONSEGUI!».

Ambos estavam relacionados com psicoterapias. O protagonista do primeiro eraele próprio e, do segundo, era a neta de amigos seus e muito amiga da filha. Tanto o Antunes como a neta de amigos seus tinham realizado quase uma proeza de se reequilibrarem e reorganizarem a sua vida e até a da família depois de alguns
dissabores. Todas as peripécias estavam descritas nesses livros. Não conseguia compreender a razão da não publicação a não ser uma certa desilusão demonstrada pelo autor, na época do Natal, quando lhe dera as Boas-Festas.
— Mas o senhor não se chama Antunes! – exclamou o meu marido e o «Sr. Antunes» prontamente respondeu que o autor gostava de rebaptizar todos os personagens para que não existisse qualquer «reconhecimento» e acrescentou – Eu não me importo, mas ele não gosta de expor as pessoas e eu respeito. Contudo, posso dizer a quem quiser que sou o protagonista.
Entretanto, quando tivemos oportunidade de nos encontrarmos com os Antunes, depois de ler o livro,
 sabendo da história do meu filho, aconselhou-nos a ler a história da Joana, que também 
emprestou, e que nos deu imenso jeito.
Da maneira como falou connosco ajudando-nos a «descobrir» o reforçador a ser utilizado com o

nosso filho, fez-nos parecer que sabia bastante de Psicologia e que era «um lutador» autodidacta e quase auto-suficiente.
Soubemos depois que tinha sido colega do autor, há quase 50 anos, no 1º ano de Direito e que, naquela ocasião, ambos tinham ficado afastados dos estudos por motivos de força maior.
Depois das diversas conversas com o Antunes e com o exemplo que ele nos estava a dar em relação à filha, começámos a mudar o nosso estilo de vida e de interacção familiar e quase que estamos a obter resultados surpreendentes. Pelo menos, o filho fala connosco durante muito mais tempo e graceja. Continuará a ser sempre assim? Obrigada por tudo.
Já que gosta de rebaptizar todos, pode chamar-me Esmeralda.”


Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem

enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

DESOBEDIÊNCIA ?


"Li os seus posts, especialmente O Valor do Reforço e Sexo Precoce e até fiz um comentário
apreciativo à espera que pudesse resolver o meu problema, isto é, o problema que o meu filho está a criar. Contudo, não consigo delinear a medida correcta para a situação.
Posso dizer que o meu filho está no 8º ano, tem 14 anos, é filho único, dá-se bem connosco e eu dou-me bem com o meu marido. Não temos dificuldades financeiras e ele tem acesso a muitos «bens de consumo extraordinário» agora utilizados por todas as crianças com posses.
Queria ir com ele a um psicólogo mas ele não aceita a ideia, nem que seja para um exame de orientação. Diz que quer ir para a biologia. Eu vivo no Norte e, como tenho o seu endereço electrónico, o meu marido aventou a hipótese de utilizarmos este meio para pedir uma informação. Já consegui comprar os seus livros sobre modificação do comportamento mas não consigo acertar nas medidas a tomar.
O rapaz quer agora passar muito tempo fora de casa, não aceita os nossos conselhos que seguia até

há pouco tempo e parece que tem um namorico porque os colegas também têm.
O que posso fazer, isto é, tanto eu como o meu marido? Não digo o meu nome porque algum dos seus conhecidos me pode conhecer mas vou ficar atenta ao seu
blog."

Recebi o seu e-mail e lembrei-me duma pergunta que um casal amigo me fez sobre a desobediência. Já que tem os livros sobre modificação do comportamento, sugiro que leia também Adolescência: idade crítica?
E, se possível, compreenda a história da Joana e sua família que está descrita também em outros três livros que constituem uma sequência.
O seu filho deve estar a entrar na adolescência e pode querer «afirmar a sua personalidade». Quando uma pessoa chega a um determinado momento e deixa de ser criança ou adulto e sabe que não é nem uma nem outra coisa, pode entrar em conflito consigo própria.
Pode ser isso que esteja a acontecer com ele.

Se ele sempre se deu bem com os pais, se os pais são seus amigos e não apenas progenitores, a grande oportunidade que existe agora é compreender a sua situação, não contrariar mas ajudá-lo a mudar de rumo se alguma coisa correr mal. Em vez de ordens podem ser dadas sugestões, talvez até em jeito de perguntas de satisfação irrecusável, para serem logo «premiadas», disfarçadamente, logo que sejam executadas ou bem recebidas. É importante que ele sinta que quem «manda» nele é ele próprio. Nisto, os dois pais têm de não se contradizer ou contrariar. Todas as acções devem ser previamente combinadas. Para tanto, têm de compreender e «deslindar» qual é o reforço para o filho num determinado momento. Se houver uma aproximação dele em relação aos pais como se fossem amigos, o problema pode ficar resolvido e até pode ser que o actual namorico não progrida se não for uma «amizade» muito séria e mais importante do que a dos
pais.

Se não houver esta aproximação dos pais, pode ser que essa amizade sirva para entrar no mundo dos adultos e independentes ao qual ele deve começar a pertencer dentro de algum tempo. Mas é bom reler os outros dois posts porque o «perigo» pode estar à espreita. Também até seja bom os pais lerem ou relerem os «casos» descritos nos livros e nos outros posts deste blog.
Caso o rapaz tenha sido sempre habituado a desobedecer, o que não é raro nos dias de hoje, a situação pode ser bastante diferente e os pais terão de compreender que só através do reforço do comportamento incompatível poderão tentar mudar essa situação, fazendo com que ele tenha reforço quando conseguir ou desejar os conselhos ou sugestões dos pais. Estes não se podem contradizer e devem ter acções concertadas. É também bom ver a técnica da moldagem.
Se a desobediência for apenas uma «moda», facilmente desaparecerá com um contacto mais amplo e reforçante com os pais. É a estes que compete iniciar a acção e manterem-se firmes e disponíveis para todas as eventualidades. É bom não esquecer que terão de ser feitos muitos sacrifícios deixando para segundo plano muitas actividades mais agradáveis para os mais velhos, o que nem sempre acontece, não é desejável e, às vezes, nem é possível ao fim de um dia de trabalho.
O contacto tem de ser permanente para, além dos estudos e divertimentos aceitáveis, evitar que a mente do rapaz se ocupe ou preocupe com outras coisas e ideias que não interessam mas que nunca se devem «proibir».
Espero que tenha respondido ao essencial mas, se necessitar de aprofundar as ideias, ficarei ao dispor para qualquer outra informação.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

SEXO PRECOCE

Quando acabei de ler este post fiquei com vontade de perguntar se posso fazer alguma coisa pelo
meu filho de 15 anos que, de repente, começou a sair com uma rapariga que me parece estouvada. Não tenho mais filhos e o meu marido, de 40 anos, está também com uma rapariga cerca de 10 anos mais nova do que ele. Estou com medo de que o meu filho se envolva com a rapariga com quem está a relacionar-se, às escondidas e de forma pouco clara. Receio um «desastre» e, depois, em vez de um problema (o do meu marido) vou ter mais dois (o do meu filho e de qualquer «resultado» deste seu relacionamento). Gostaria de receber uma «dica» que me pudesse orientar «à distância» já que o meu emprego, embora não mal remunerado, deixa pouco tempo para «divagações».
Anastácia Campos”

D. Anastácia Campos,
Ao «vistoriar» o meu blog deparei com o seu comentário que acabo de transcrever e que vem ao encontro de uma proposta que me foi feita há bastante tempo por uma pessoa amiga que gostaria que eu falasse neste tema também preocupante para a senhora.
No seu caso ou, melhor dizendo, no caso do seu filho, parece que é um assunto muito sério. O seu marido não está «em casa» para poder oferecer ao filho um modelo de identificação necessário na idade dele. O rapaz está na puberdade e qualquer estímulo sexual pode ajudá-lo a «desequilibrar-se». Se a rapariga é meio estouvada, a situação pode ser ainda pior. Locais e ocasiões não irão faltar. Um óbice muito grande é a pouca disponibilidade de tempo da senhora. E paciência? Terá a suficiente?

Tudo o que eu disse à outra senhora (Celina) também é válido para si. A literatura sugerida também. Além disso, fica aqui aquilo que não lhe disse e que aventei no final
daquela resposta.
O importantíssimo, neste caso, é utilizar o «reforço do comportamento incompatível».O seu receio de sexo precoce pode ser o resultado de tentativas do seu filho em obter a satisfação temporária, mas urgente, duma necessidade de afectividade que não consegue obter no contacto com os pais ou com a sua família.
Pela descrição que me faz da situação, parece-me que não estão muito próximos das vossas famílias originárias. Suponho que, nos estudos, o rapaz deve ter bons resultados. Mas a nível de afectividade, de convivência e inclusão familiar e de modelo de identificação? Onde irá buscar esses dados e valores?
O mínimo que a senhora pode fazer é «arranjar» tempo para estar com ele, conversar muito sobre a
família, não criticar o pai dele mas mostrar que ambos podem ter tido momentos de falha «conjugal». É muito importante que ele comece a compreender estes problemas. Ajude-o a compreender que a escolha conjugal é um assunto sério, a não ser que se constituam famílias em que os filhos irão sofrer com uma união deficiente. É bom frisar este ponto dizendo que mesmo as boas escolhas podem falhar, quanto mais as precipitadas. E, no vosso caso, não foi qualquer «precipitação». Tudo isto tem de ser muito bem conversado. Se não conseguir, pode ter de encarar tardiamente o «desastre» que não deseja, além de ter a necessidade de consultar um psicólogo durante muito tempo. Melhor é prevenir e prevenir-se não deixando que «as coisas aconteçam».
Veja se consegue também, com a sua companhia ou com outras tarefas, reduzir o tempo de permanência do filho com a rapariga, pelo menos, as possibilidades de contactos
mais íntimos. Mas, não fale mal da rapariga.
Em todas as acções em que o seu filho se empenhar longe da rapariga aplauda-o e encoraje-o a prosseguir. Se conseguir um bom «hobby» ou um desporto absorvente será muito melhor.
Mas não se esqueça, essencialmente, que a companhia da mãe deve ser muito importante para ele, sem sermões ou recriminações, mas com uma amizade de confiança e apoio.
Boa sorte em lidar com esta situação muito melindrosa.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O VALOR DO REFORÇO

"Li o seu post e lembrei-me de perguntar se me pode ajudar a apoiar o meu filho de 15 anos a ter
mais cuidado com a escrita. Dá muitos erros ortográficos. Contudo, gosta imenso de história, ecologia e de biologia. Quase que me obriga a ver com ele os programas da TV ao fim de um dia de cerca de 10 horas de trabalho cansativo. Poderá dar-me alguma ajuda?Agradeço antecipadamente."
Celina Fortuna.


Acabei de ler o seu comentário enquanto «navegava» na internet e vou tentar dar as indicações que me são possíveis.
Não sei qual o ano de escolaridade que o seu filho frequenta, mas julgo que deverá situar-se entre o 7º e o 9º ano.
Portanto, se ele chegou a esse patamar sem deficiências, julgo que o seu nível intelectual deve ser «normal» para poder frequentar qualquer curso médio ou superior. Se assim
for, penso que tem a vantagem de não ter de fazer uma orientação vocacional.
Se, como mãe, tem a ambição natural e «normal» que o seu filho escreva bem a sua língua materna, está no seu direito (e obrigação?).
Já deve ter compreendido que o reforço do seu filho é inteirar-se sobre assuntos de ecologia, biologia e história e ter a sua companhia ou a demonstração do seu interesse por esses assuntos.
O que posso dizer sobre isso é aconselhá-la a ler atentamente pelo menos os 5 volumes de Como Modificar o Comportamento, da Plátano Editora, além de quaisquer outros que dêem exemplos do modo como podemos alterar o comportamento dos outros. Pode utilizat também o livro da JOANA (D).

No seu caso, como o reforço está quase determinado, deixe o seu filho ver os programas e, se possível, tente acompanhá-lo no início dos mesmos apesar de não o ter
incentivado para isso. Logo depois do início do programa, pode pretextar qualquer trabalho a fazer de imediato e pedir ao filho que faça uma pequena redacção ou resumo sobre aquilo que acabar de ver e que também a si interessa. Se ele quiser fazer um comentário, melhor ainda.
Depois, quando tiver tempo e disponibilidade, torna-se imprescindível que a senhora peça esses resumos ou comentários e, além de elogiar a sua elaboração, vá comentando com o filho as suas falhas de escrita, ortografia, caligrafia ou construção do texto mostrando as vantagens que, com a correcção dos mesmos, ele pode ter no futuro, quando for um bom investigador ou perito na matéria. Por isso, até o pode ajudar a corrigir os erros e pedir que ele continue sozinho a fazer o mesmo consultando dicionários, internet, etc.

Assim, com o reforço que lhe vai dar com a sua participação no evento, não quando ele deseja mas
quando é possível para si, pode conseguir que ele, na brincadeira, consiga melhorar um pouco na parte de escrita. Além disso, pode ter a vantagem de não ter de consultar um gabinete de orientação vocacional por ele já ter escolhido a sua futura profissão.
Ou será apenas a companhia da mãe que lhe interessa durante os programas de televisão? Se assim for, o problema é outro mas, nos livros de que falei, também pode descobrir uma nova forma de agir.
Veja bem como se aplicam as técnicas de moldagem e reforço do comportamento incompatível.
Pode consultar os meus posts com exemplos das mesmas.
O que mais desejo para si é boa sorte ou nova pergunta.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ACONSELHAMENTOS

“Sou estudante de Psicologia e sinto frequentemente dúvidas sobre o modo como devo agir quando
começar a exercer as funções para as quais me estou a treinar. 
Na minha mente não faltam perguntas como:
O que é que as pessoas quererão de mim?
Como deverei responder às solicitações que me são feitas?
Que tipo de ajudas não devo dar?
Como serão aceites as minhas recomendações?
Como psicólogo que já escreveu vários livros entre os quais
SUCESSO ESCOLAR, APOIO PSICOPEDAGÓGICO, REEDUCAR COMO? e ESCOLA – Conflitos: como evitá-los como geri-los?, gostaria que me indicasse o modo como as pessoas fazem os seus pedidos ou apresentam as suas dificuldades quando vão às consultas. Gostaria também que me dissesse que perguntas gostaria que os consulentes não fizessem ou assuntos que não gostaria de tratar.
Agradeço que me indique o modo de fazer um pedido e de o satisfazer na área de Psicologia Educacional.”



Julgo que nas perguntas feitas pelos interessados e nas respostas dadas em vários posts indicados nos blogs a seguir e até na bibliografia que indicou no seu pedido, pode obter exemplos daquilo que deseja a não ser que eu tenha entendido mal a sua pretensão.

Blog Psy for All 
- COMPORTAMENTO IRREGULAR NAS AULAS (21 JUL 2008)
- DIFICULDADES ESCOLARES (28 JUL 2008)

Neste Blog
- INFORMAÇÃO (7 AGO 2008)
- DISLEXIA, (5 SET 2008)
- A PEDAGOGIA EM PORTUGAL (1 OUT 2008)
- DESABAFO (1 OUT 2008)
- DISCIPLINA, STRESS e APRENDIZAGEM (6 NOV 2008)

Além disso, não me posso dar ao luxo de não querer que me façam um determinado tipo de perguntas ou pedidos. Se não conseguir responder ou, pelo menos, dar alguma ajuda, devo dizer claramente que a ajuda está fora do meu alcance ou que, no momento, não posso ser útil. Posso também indicar algum colega que julgue estar mais habilitado do que eu para ajudar a resolver a situação.
Porém, quando os interessados não apresentam o «caso» com clareza, tentam esconder determinados factos «comprometedores» ou «julgados inúteis», a ajuda a dar pode ser insuficiente, inadequada e até errada ou prejudicial.
Também um assunto que me desagrada, como professor, é os alunos pedirem fotocópias de «quadros de apoio» (ppt), ou resumos da matéria que estou a apresentar e cuja bibliografia foi amplamente fornecida e está disponível. Esses resumos ou quadros de apoio deveriam ser elaborados pelos próprios alunos a partir da bibliografia disponível. Caso contrário, que aprendizagem estarão a fazer num curso universtário? Que tipo de profissionais serão no futuro? Que responsabilidade terei na «não-formação» adequada desses alunos se tiver a tentação de aceder aos seus pedidos?

Cada um tem de aprender a relaxar-se e, para isso, tem agora o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P)

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

DISCIPLINA, STRESS E APRENDIZAGEM **


Acabei de ler o seu comentário ao meu post «PEDAGOGIA EM PORTUGAL», de 1 de Outubro
e vou já fazer o post que estava preparado para uma resposta a José Carrancudo.



“… o comportamento mais natural de qualquer ser vivo, é de não fazer nada, quando não é mesmo obrigado a fazer alguma coisa, conservando assim a energia…” é o que se lê no post com o título acima, no blog Educação em Portugal, de José Carrancudo.


Antes de tudo, do meu ponto de vista, julgo que colocaria as coisas de outra maneira, dizendo: “o comportamento mais natural de qualquer ser vivo é de fazer aquilo que mais agrada, gerindo a energia o melhor possível.”

Quando se fala de disciplina nas aulas, julgo que com a indisciplina não se conseguem aprender as matérias que necessitamos de aprender porque exigem concentração da atenção do aprendiz, pelo menos durante alguns lapsos de tempo em que essa matéria deve ser apreendida.
Se os professores ficarem ocupados com o controlo dos comportamentos inoportunos dos alunos, qual é o tempo que vão dedicar a expor as matérias a serem aprendidas? O tempo das aulas é limitado e uma pessoa não consegue fazer duas coisas incompatíveis ao mesmo tempo (prestar atenção à irrequietude dos alunos e expor a matéria).
E expor a matéria a quem? Aos restantes alunos que ainda não se mostram indisciplinados? Qual a atenção que podem prestar às aulas enqanto os colegas os conduzem à desatenção?
Se a profissão do professor é ajudar o aluno a aprender e se não consegue atingir esse objectivo,
obviamente, deve sentir-se frustrado. Qual será a sua resposta a essa frustração? Uma delas pode ser «virar as costas» à turma e «deixar andar». E qual será a aprendizagem dos alunos ainda não indisciplinados? Prestar atenção aos colegas indisciplinados ou à matéria a ser dada?
Quem, de facto, perde mais com isso? O professor ou os alunos? O que poderão os alunos aprender nestas circunstâncias? Modelarem-se em comportamentos semelhantes aos do professor? Ficarem reforçados porque se portaram mal? Os que não se portam mal, modelarem-se nos comportamentos dos turbulentos para daí obterem reforço vicariante? Arranjarem justificações dizendo que os professores não ensinam?

E que reacções terão os pais? Criticar os professores por não obterem bons resultados com os alunos?

Porém, onde aprenderam os alunos a ser turbulentos ou a portar-se mal nas aulas? A família de cada um deles não será, às vezes, um exemplo ou um incentivo para que se portem mal nas aulas? Os pais terão a noção daquilo que os seus filhos fazem nas aulas? Caso afirmativo, qual a razão dos pais não se dirigirem à escola para saber da competência dos professores? Em sentido contrário, qual a razão das muitas agressões a professores, não só dos alunos como dos pais, avós e até de outros familiares? Isso já tem acontecido, noticiado e repetido ainda hoje no jornal da noite. Muitas vezes, os pais nem querem saber da boca dos professores o que se passou! Ouvem os filhos mas não ouvem a «outra parte». Onde estará a verdade e a objectividade? Aos filhos não convirá «pregar uma mentira», de vez em quando, para se desculparem da sua má colaboração nas aulas? É como se o juiz proferisse a sentença ouvindo apenas uma das partes.

A nossa experiência diz-nos que o «stress» (q.b.) é necessário em todas as circunstâncias em que se deseja atingir mais do que aquilo que se possui. Acontece até no atletismo. A aprendizagem escolar é um desses casos: escrever melhor, falar melhor, obter mais conhecimentos. Exige trabalho, esforço e treino. Para isso, é necessário algum stress. Tudo isto exige um certo «investimento» que deixa de ser efectuado no caso de não dar rendimento, o que, em psicologia, se chama reforço. Quem está numa «paz podre» não investe coisa alguma. Por esta razão, até aos «velhinhos» se aconselha que se «mexam», que andem, pelo menos, quilómetro e meio todos os dias. Isto quer dizer que, com este exercício, eles podem por a «bomba» cardíaca a funcionar e evitar que as articulações fiquem «enferrujadas»

Numa aprendizagem, existe sempre o reforço, isto é satisfação por se conseguir aquilo que se deseja ou por se conseguir evitar aquilo que não se deseja. Acontece-nos todos os dias e a cada momento. Assim, o reforço ou, mais correctamente, o reforçador, pode ser um elogio, uma boa nota, um reconhecimento público ou até o medo do castigo. Enquanto o último pode ser prejudicial, mas necessário em algumas situações, os outros são bons e fáceis de proporcionar. Numa aula, o professor pode manipular esses reforçadores e doseá-los conforme as circunstâncias. Desses reforçadores surgirá o reforço que é a tal satisfação. Assim, ter uma boa nota ou desempenho ou evitar um «chumbo» ou até a vergonha dum mau desempenho serão o resultado desejado. Os esquemas de reforço são muito diversos de acordo com o momento da sua obtenção, tipo, frequência, qualidade, etc., importantes para quem os têm de manipular.

O mais importante é que também durante a brincadeira muito se aprende. Se o professor conseguir incitar (provocar stress) os alunos para entrarem numa brincadeira ordenada (disciplina) durante a qual eles possam aprender alguma coisa daquilo que é necessário e se conseguir proporcionar-lhes o reforço por eles desejado ao atingirem uma boa aprendizagem julgo que se deve sentir muito feliz porque não é fácil nem deixará esse professor sem uma grande carga de stress no final da aula. Mas, em compensação, verificará satisfeito porque a sua actuação foi muitíssimo proveitosa e benéfica para os futuros cidadãos que até se podem modelar nesses comportamentos identificando-se com o seu autor, especialmente quando na família não tiverem outro que se comporte melhor. Até os computadores para crianças proporcionam esta oportunidade de aprender a brincar. Mas, é necessário «trabalhar», investir, treinar.

Assim, apesar dos magros salários que se aufere no nosso país, valerá a pena ser professor … já que não se conseguiu ser gestor dum banco!

Como corolário destas divagações, parece que é aos professores que compete, em primeiro lugar, orientar as aulas de acordo com a sua personalidade e capacidades, sempre em interacção e em conjugação com as personalidades dos alunos e com o meio ambiente que todos encontrarem na escola. Os cinco pequenos volumes de COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO e os três relacionados com a reeducação, já mencionados em posts anteriores, podem dar alguma ajuda a quem dela necessitar.

Depois deste comentário que se destinava a José Carrancudo, se o meu ilustre comentador quiser diminuir um pouco mais o seu «stress» pode praticar porfiadamente o mesmo que aconselhei a Cristina e que consta das páginas 51 a 59 do livro aqui apresentado.

Imagine (e vizualize) também durante pouquíssimos minutos, antes de se deitar, como poderá dar uma aula melhor e mais controlada do que a sua última melhor aula e comece o relaxamento para depois entrar em imaginação orientada. Se ler outros posts, tem mais livros dos quais se pode socorrer para ver o que os outros fizeram e conseguiram.

Boa sorte.