quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A «GUERRA» DAS DESIGNAÇÕES


"CãoPincha disse...
Estás a seguir a discussão e a aceitação quase completa, com excepção da Igreja, de casamentos homossexuais? Às vezes, chegamos a pensar que os psicólogos são rígidos e pouco espertos. O que dizes a isso?"



Caros Senhores CãoPincha.

Li o vosso comentário do dia 11 de Fevereiro acima citado e prometi responder logo que tivesse possibilidade. Vou fazê-lo apenas com base na ciência e na ética que tento praticar na minha qualidade de psicólogo. Consultei também o vosso blog que diz algumas coisas com as
quais concordo. Estas discussões que agora surgem sobre temas de pouco interesse para a nossa economia e desenvolvimento parecem-me, mesmo como psicólogo, uma luta política ou um braço-de-ferro entre duas ideologias e nada mais do que isso! Mas vamos ao que mais interessa no momento.

No meu post CASAMENTOS, UNIÕES E HOMOSSEXUALIDADE, de 10AGO2008, que agora foi comentado, faço a distinção entre casamento e união do mesmo modo como a faço entre neurose e psicose. Digo mais que “não sou contra as uniões” e acrescento que “para mim, algumas situam-se muito mais no espírito do verdadeiro casamento”. Contudo, quando falo em “um grau de ponderação exigível no casamento” refiro-me à diferença de sexos. A diferença de sexos existe e é uma realidade que até se tenta repor quando a natureza «prega partidas». Quando não é possível, toda a gente aceita (ou deveria aceitar) os factos com toda a
naturalidade. Não vale a pena diagnosticar e «tratar» a neurose como se fosse uma psicose ou vice-versa. São duas entidades nosológicas diferentes que não vale a pena confundir mas que têm de ser compreendidas na sua essência e «tratadas» como tal. Ninguém se zanga por isso, mas talvez houvesse quem se zangasse se houvesse confusão...

Casamento é uma união sexual entre indivíduos de sexo diferente (não digo oposto). Isto não pressupõe que não devam existir uniões entre indivíduos do mesmo sexo, com os mesmos direitos cívicos, económicos, financeiros, legais ou quaisquer outros mais diversificados que os casamentos heterossexuais possam ter. Tudo isto não tem coisa alguma a ver com a moral mas apenas com a ordem natural das coisas. Nada tem a ver com a religião mas sim com as leis da natureza. Se assim não pensássemos, não haveria direito a patologias, doenças, deficiência, reabilitação, reeducação ou integração.
Se tudo isto se passa apenas por causa da designação «casamento», qual a razão de não se querer
confundir coronel com tenente-coronel ou major com sargento? E se chamássemos otorrinolaringologista a um estomatologista ou a um gastrenterologista? Se tratássemos um biólogo como veterinário que resultado iríamos ter? Ambos lidam com animais.
Por mim, contem com todo o apoio a uniões que necessitem de legislação que dê estabilidade e apoio à sua sobrevivência, especialmente se trouxer a felicidade aos interessados e bem-estar à sociedade. A protecção dos interesses específicos nada tem a ver com as designações. E se até ao mesmo objecto estamos habituados a dar designações diferentes, qual a razão de dar o mesmo nome a coisas diferentes?

Senão, vamos eliminar as designações de amendoim, alcagoita, ervilhana, ginguba e mancarra ao mesmo comestível, assim como podemos também proibir os nomes de bilbaine e trauliteira dados e um simples boné.
Toda esta discussão é completamente ilógica e só serve para exacerbar os ânimos de quem discute e «quer ganhar». Não sei o quê. Porém, não me obriguem a ser homossexual porque não me dá jeito algum.
Há anos, até me revoltei contra a estupidez de «irradiar» um técnico excelente de um «serviço público» logo depois do célebre «25 de Abril», só por ser homossexual, mas com uma justificação oficial diferente. Provavelmente, um dos que o tentou eliminar, ambicionaria a «vaga» que ele deixaria com a sua saída!
Posto isto, aceito o vosso reparo de que os psicólogos parecem, às vezes, ser rígidos e pouco espertos, mas julgo que, neste caso, não existe qualquer rigidez de pensamento mas apenas a exigência duma clarificação de conceitos. E isso não quer significar rigidez de pensamento ou falta de «esperteza».

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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sábado, 7 de fevereiro de 2009

OS BOATOS


“O que dirá um psicólogo acerca das confusões em que estamos metidos para além das trapalhadas económicas e financeiras que estamos a atravessar e que necessitam de soluções sensatas, firmes, rápidas e não-interesseiras?
João Abelhudo”


Caro senhor João Abelhudo,
Recebi ontem o seu longo mail e só transcrevi o essencial ao qual vou tentar responder imediatamente porque é um assunto que me interessa e preocupa também como cidadão.
Vendo outros blogs, descobri que o compincha.blogspot.com faz considerações sobre muitos assuntos políticos e até pondera ir votar com o voto riscado, provavelmente, para dizer que não confia nos políticos portugueses.
A única maneira que eu tenho de responder à sua carta com sinceridade é dizer que apenas devo poder dar alguma explicação relacionada com a Psicologia Social. Tudo o que não se situar neste âmbito, é uma especulação política «pessoal e intransmissível» porque eu também não posso deixar de me preocupar com esta situação política, económico-financeira e de crise de valores éticos.
Como já disse, vi em alguns blogs intervenções relacionadas com a nossa governação e com a dos EUA. Também vi falar acerca dos governantes e das oposições. A partir de tudo isto, uma análise rápida e preliminar de vários factos e notícias ambiguidades. Propõem soluções milagrosas que, passado algum tempo, não dão o efeito proposto e desejado. Actuam lentamente e de forma inadequada, parecendo às vezes, que estão a esconder qualquer coisa ou a desculparem-se com justificações disparatadas.
Proporciona a oportunidade de verificar que os nossos governantes falam muito, dizem muitas coisas bonitas, pouco precisas e sujeitas a confusões e imprecisões.
A análise sobre o nosso sistema de educação é um dos exemplos.
É da OCDE? É com técnicos da OCDE? É com modelos da OCDE? Ou é outra coisa qualquer e a sigla OCDE foi utilizada para «espantar o burguês»?
Por exemplo, num outro contexto social do nosso mundo ocidental, duas individualidades propostas pessoalmente pelo Presidente Barack Obama para o seu elenco governativo foram por ele, imediatamente, postas de lado no momento em que se soube que não tinham pago os seus impostos. Além disso, o Presidente assumiu o seu erro e não apresentou justificações.
A Europa também parece estar a querer seguir algumas das ideias agora discutidas e difundidas. Em Portugal seria assim? Contudo, não acredito que Bush teria reagido do mesmo modo! O Durão Barroso que o diga.
Os casos de Freeport, Casa Pia, Apito Dourado, Furacão e outros que tais, apresentam muitas «informações» acerca do assunto com os principais intervenientes ou visados a virem imediatamente à liça apresentar justificações, desmentidos, comunicados, etc., que nada de concreto dizem a não ser que eles são inocentes e estão a ser vítimas de calúnias, chantagens e campanhas multicolores, quando não são «cabalas».

Se é verdade o que eles dizem, qual a razão de negar os factos em vez de os relatar em primeira mão? Nós saberíamos avaliar a «verdade» que eles proclamam. Tudo isto conduz a muitas dúvidas. O que aconteceu e continua a acontecer com Vale e Azevedo? Estas dúvidas fazem com que as pessoas pensem: “Se foi assim na situação anterior, não será o mesmo na actual?” Chega-se assim a fazer uma atribuição baseada, provável e eventualmente, em dados pouco fidedignos e erróneos.
Além disso, como a maioria destes factos se relaciona com assuntos que interessam a todos os cidadãos e os intervenientes são do «domínio público» (governantes, figuras públicas, pessoas «distintas», etc.), as dúvidas assim provocadas fazem com que a percepção fique distorcida e ocasione boatos que se vão propagando, dando a impressão de que existe interesse que certos factos propalados no momento sejam admitidos como verdades as quais se desejam esconder do público.

Deste modo, a intensidade desses boatos vai aumentando em porção directa com o interesse na notícia a circular e com a ambiguidade da mesma. Nestes termos, a intensidade do boato é proporcional à ambiguidade da notícia, multiplicada pelo interesse que a mesma tem no momento.

Se nos quisermos referir ao nosso momento actual, uma das notícias que têm o maior interesse para o público em geral é o «caso do FREEPORT» porque um dos envolvidos é o Primeiro-Ministro e a sua competência e honorabilidade são importantes para todos os portugueses. As notícias que circulam acerca disso com omissões, comunicados, desmentidos, «defesas gratuitas», acusações de ataques pessoais, etc. são tão forçadas e ambíguas que, por si só, aumentam a intensidade do boato.
Ninguém melhor do que o próprio sabe se isso é boato ou não. Não basta apenas ele afirmar que não.

É necessário que o demonstre e que as pessoas estejam convencidas disso. Nesta situação concreta, no caso afirmativo das notícias postas a circular serem apenas boatos, bastava que o próprio dissesse publicamente, apenas uma vez, que tudo era mentira e que desejava que a Justiça esclarecesse os factos com toda a celeridade, pondo-se à total disposição da mesma.
E em jeito de conclusão podia acrescentar, à guisa de mote dado há poucos anos: “E agora, deixem-me trabalhar” sem nunca mais responder a qualquer pergunta sobre o assunto.

Necessitamos de políticos e governantes competentes, honestos, corajosos e eficazes. E cada vez que acredito num, passado algum tempo, apanho com um balde de água fria na «moleirinha».
Da maneira como as coisas estão a correr, a intensidade do boato, se de facto não for falso, pode ir corroendo a «verdade».
E depois como será?

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

OS «ACASOS» PODEM COMPENSAR ?


D. Esmeralda,

Li ontem o seu comentário ao meu post DESOBEDIÊNCIA? e hoje acabei de receber a sua carta que mais me parece uma proposta de solução do «caso» do seu filho do que uma pergunta qualquer. Por este motivo, vou inverter os papéis e transcrevê-la a seguir quase na íntegra, como se fosse a minha proposta de solução.
Espero que, com o vosso empenho e com o contacto que estão a manter com o Antunes, tudo continue a «ser assim» tal como descreve. Não existe qualquer outra pessoa, por mais especializada que seja, que possa substituir a nossa colaboração e empenho. Isto até se verifica na recuperação das doenças orgânicas. Que seja por longo tempo e, se encontrarem os avós da Cidália, aproveitem também a companhia deles.
O Antunes é um velho amigo meu que, através dum contacto com outro quase amigo dos dois e
vizinho de familiares do Antunes, reencontrei depois de muitíssimos anos.
No vosso caso, o livro que vai ler (PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?), os da modificação do comportamento e os da «Joana» são os mais importantes. Verifiquem que até uma criança pode aplicar as técnicas de modificação do comportamento se for bem orientada e apoiada, especialmente a técnica do reforço do comportamento incompatível.Como têm contacto com o Antunes peçam-lhe a revista «Conhecer a Pessoa», de 1983, leiam o artigo «Os Encontros do Acaso e os Caminhos da Vida», e descubram a maneira de aproveitar as oportunidades de maneira criativa. Oxalá que acontecesse o mesmo com a nossa economia e com o nosso eterno atraso em relação à Europa e ao resto do mundo.
Pode ser que o «encontro» do seu marido com a filha do Antunes tenha sido um feliz acaso capaz de mudar toda a vossa vida.
Tirem bom proveito da situação. A sua carta vem a seguir.
Boa sorte.
Mário de Noronha

“Há dias, tentei fazer um comentário acerca da resposta que deu no seu post DESOBEDIÊNCIA?, mas não consegui publicá-lo. Não sei se conseguirei, mas vou escrever-lhe esta carta, que o acontecimento bem merece.
Como eu tinha uma consulta médica na semana passada, o meu marido teve de ir buscar o filho à escola.
Quando chegou a vê-lo, aproximou-se e reparou que ele se despedia duma rapariga que tinha um livro na mão e parecia estar à espera de alguém.
Ao abeirar-se do filho e da rapariga com quem ele falava, verificou que ela tinha na mão o livro
PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?, que parecia já muito «usado».

Aproximou-se dela, cumprimentou-a e perguntou-lhe o que fazia com aquele livro na mão, visto que ele já o tinha tentado comprar, no Porto, mas não conseguira. A rapariga informou-o que o livro era para emprestar a uma amiga, como muitas vezes fazia, e que o pai tinha alguns exemplares em casa, porque era muito amigo do autor do livro. Entretanto, quando a mãe dela chegou, o meu marido teve oportunidade que ela o esclarecesse que o interlocutor principal do livro citado era seu marido e que no dia seguinte, Quarta-feira, ele iria à escola buscar a filha. Era assim todas as semanas, porque ela aproveitava essa tarde para estar num «programa» de apoio a crianças e o marido passava a manter uma ligação mais íntima com a filha. Era bom que assim acontecesse para além dos fins-de-semana.
-- Já que está tão interessado no livro porque não fala amanhã com o meu marido? – perguntou e

acrescentou -- vou informá-lo do seu interesse pelo livro.
No dia seguinte, o meu marido quis ir buscar o filho e encontrou o Sr. “?” Antunes.
Através dele, que lhe ofereceu um exemplar desse livro, soube que o principal interlocutor do mesmo era ele próprio e que estava à espera que fossem publicados outros dois, muito mais importantes e já terminados:
«ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (Desequilíbrio psicológico? A auto-terapia possível)» e «EU TAMBÉM CONSEGUI!».

Ambos estavam relacionados com psicoterapias. O protagonista do primeiro eraele próprio e, do segundo, era a neta de amigos seus e muito amiga da filha. Tanto o Antunes como a neta de amigos seus tinham realizado quase uma proeza de se reequilibrarem e reorganizarem a sua vida e até a da família depois de alguns
dissabores. Todas as peripécias estavam descritas nesses livros. Não conseguia compreender a razão da não publicação a não ser uma certa desilusão demonstrada pelo autor, na época do Natal, quando lhe dera as Boas-Festas.
— Mas o senhor não se chama Antunes! – exclamou o meu marido e o «Sr. Antunes» prontamente respondeu que o autor gostava de rebaptizar todos os personagens para que não existisse qualquer «reconhecimento» e acrescentou – Eu não me importo, mas ele não gosta de expor as pessoas e eu respeito. Contudo, posso dizer a quem quiser que sou o protagonista.
Entretanto, quando tivemos oportunidade de nos encontrarmos com os Antunes, depois de ler o livro,
 sabendo da história do meu filho, aconselhou-nos a ler a história da Joana, que também 
emprestou, e que nos deu imenso jeito.
Da maneira como falou connosco ajudando-nos a «descobrir» o reforçador a ser utilizado com o

nosso filho, fez-nos parecer que sabia bastante de Psicologia e que era «um lutador» autodidacta e quase auto-suficiente.
Soubemos depois que tinha sido colega do autor, há quase 50 anos, no 1º ano de Direito e que, naquela ocasião, ambos tinham ficado afastados dos estudos por motivos de força maior.
Depois das diversas conversas com o Antunes e com o exemplo que ele nos estava a dar em relação à filha, começámos a mudar o nosso estilo de vida e de interacção familiar e quase que estamos a obter resultados surpreendentes. Pelo menos, o filho fala connosco durante muito mais tempo e graceja. Continuará a ser sempre assim? Obrigada por tudo.
Já que gosta de rebaptizar todos, pode chamar-me Esmeralda.”


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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

DESOBEDIÊNCIA ?


"Li os seus posts, especialmente O Valor do Reforço e Sexo Precoce e até fiz um comentário
apreciativo à espera que pudesse resolver o meu problema, isto é, o problema que o meu filho está a criar. Contudo, não consigo delinear a medida correcta para a situação.
Posso dizer que o meu filho está no 8º ano, tem 14 anos, é filho único, dá-se bem connosco e eu dou-me bem com o meu marido. Não temos dificuldades financeiras e ele tem acesso a muitos «bens de consumo extraordinário» agora utilizados por todas as crianças com posses.
Queria ir com ele a um psicólogo mas ele não aceita a ideia, nem que seja para um exame de orientação. Diz que quer ir para a biologia. Eu vivo no Norte e, como tenho o seu endereço electrónico, o meu marido aventou a hipótese de utilizarmos este meio para pedir uma informação. Já consegui comprar os seus livros sobre modificação do comportamento mas não consigo acertar nas medidas a tomar.
O rapaz quer agora passar muito tempo fora de casa, não aceita os nossos conselhos que seguia até

há pouco tempo e parece que tem um namorico porque os colegas também têm.
O que posso fazer, isto é, tanto eu como o meu marido? Não digo o meu nome porque algum dos seus conhecidos me pode conhecer mas vou ficar atenta ao seu
blog."

Recebi o seu e-mail e lembrei-me duma pergunta que um casal amigo me fez sobre a desobediência. Já que tem os livros sobre modificação do comportamento, sugiro que leia também Adolescência: idade crítica?
E, se possível, compreenda a história da Joana e sua família que está descrita também em outros três livros que constituem uma sequência.
O seu filho deve estar a entrar na adolescência e pode querer «afirmar a sua personalidade». Quando uma pessoa chega a um determinado momento e deixa de ser criança ou adulto e sabe que não é nem uma nem outra coisa, pode entrar em conflito consigo própria.
Pode ser isso que esteja a acontecer com ele.

Se ele sempre se deu bem com os pais, se os pais são seus amigos e não apenas progenitores, a grande oportunidade que existe agora é compreender a sua situação, não contrariar mas ajudá-lo a mudar de rumo se alguma coisa correr mal. Em vez de ordens podem ser dadas sugestões, talvez até em jeito de perguntas de satisfação irrecusável, para serem logo «premiadas», disfarçadamente, logo que sejam executadas ou bem recebidas. É importante que ele sinta que quem «manda» nele é ele próprio. Nisto, os dois pais têm de não se contradizer ou contrariar. Todas as acções devem ser previamente combinadas. Para tanto, têm de compreender e «deslindar» qual é o reforço para o filho num determinado momento. Se houver uma aproximação dele em relação aos pais como se fossem amigos, o problema pode ficar resolvido e até pode ser que o actual namorico não progrida se não for uma «amizade» muito séria e mais importante do que a dos
pais.

Se não houver esta aproximação dos pais, pode ser que essa amizade sirva para entrar no mundo dos adultos e independentes ao qual ele deve começar a pertencer dentro de algum tempo. Mas é bom reler os outros dois posts porque o «perigo» pode estar à espreita. Também até seja bom os pais lerem ou relerem os «casos» descritos nos livros e nos outros posts deste blog.
Caso o rapaz tenha sido sempre habituado a desobedecer, o que não é raro nos dias de hoje, a situação pode ser bastante diferente e os pais terão de compreender que só através do reforço do comportamento incompatível poderão tentar mudar essa situação, fazendo com que ele tenha reforço quando conseguir ou desejar os conselhos ou sugestões dos pais. Estes não se podem contradizer e devem ter acções concertadas. É também bom ver a técnica da moldagem.
Se a desobediência for apenas uma «moda», facilmente desaparecerá com um contacto mais amplo e reforçante com os pais. É a estes que compete iniciar a acção e manterem-se firmes e disponíveis para todas as eventualidades. É bom não esquecer que terão de ser feitos muitos sacrifícios deixando para segundo plano muitas actividades mais agradáveis para os mais velhos, o que nem sempre acontece, não é desejável e, às vezes, nem é possível ao fim de um dia de trabalho.
O contacto tem de ser permanente para, além dos estudos e divertimentos aceitáveis, evitar que a mente do rapaz se ocupe ou preocupe com outras coisas e ideias que não interessam mas que nunca se devem «proibir».
Espero que tenha respondido ao essencial mas, se necessitar de aprofundar as ideias, ficarei ao dispor para qualquer outra informação.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

SEXO PRECOCE

“Quando acabei de ler este post fiquei com vontade de perguntar se posso fazer alguma coisa pelo
meu filho de 15 anos que, de repente, começou a sair com uma rapariga que me parece estouvada. Não tenho mais filhos e o meu marido, de 40 anos, está também com uma rapariga cerca de 10 anos mais nova do que ele. Estou com medo de que o meu filho se envolva com a rapariga com quem está a relacionar-se, às escondidas e de forma pouco clara. Receio um «desastre» e, depois, em vez de um problema (o do meu marido) vou ter mais dois (o do meu filho e de qualquer «resultado» deste seu relacionamento). Gostaria de receber uma «dica» que me pudesse orientar «à distância» já que o meu emprego, embora não mal remunerado, deixa pouco tempo para «divagações».
Anastácia Campos”

D. Anastácia Campos,
Ao «vistoriar» o meu blog deparei com o seu comentário que acabo de transcrever e que vem ao encontro de uma proposta que me foi feita há bastante tempo por uma pessoa amiga que gostaria que eu falasse neste tema também preocupante para a senhora.
No seu caso ou, melhor dizendo, no caso do seu filho, parece que é um assunto muito sério. O seu marido não está «em casa» para poder oferecer ao filho um modelo de identificação necessário na idade dele. O rapaz está na puberdade e qualquer estímulo sexual pode ajudá-lo a «desequilibrar-se». Se a rapariga é meio estouvada, a situação pode ser ainda pior. Locais e ocasiões não irão faltar. Um óbice muito grande é a pouca disponibilidade de tempo da senhora. E paciência? Terá a suficiente?

Tudo o que eu disse à outra senhora (Celina) também é válido para si. A literatura sugerida também. Além disso, fica aqui aquilo que não lhe disse e que aventei no final
daquela resposta.
O importantíssimo, neste caso, é utilizar o «reforço do comportamento incompatível».O seu receio de sexo precoce pode ser o resultado de tentativas do seu filho em obter a satisfação temporária, mas urgente, duma necessidade de afectividade que não consegue obter no contacto com os pais ou com a sua família.
Pela descrição que me faz da situação, parece-me que não estão muito próximos das vossas famílias originárias. Suponho que, nos estudos, o rapaz deve ter bons resultados. Mas a nível de afectividade, de convivência e inclusão familiar e de modelo de identificação? Onde irá buscar esses dados e valores?
O mínimo que a senhora pode fazer é «arranjar» tempo para estar com ele, conversar muito sobre a
família, não criticar o pai dele mas mostrar que ambos podem ter tido momentos de falha «conjugal». É muito importante que ele comece a compreender estes problemas. Ajude-o a compreender que a escolha conjugal é um assunto sério, a não ser que se constituam famílias em que os filhos irão sofrer com uma união deficiente. É bom frisar este ponto dizendo que mesmo as boas escolhas podem falhar, quanto mais as precipitadas. E, no vosso caso, não foi qualquer «precipitação». Tudo isto tem de ser muito bem conversado. Se não conseguir, pode ter de encarar tardiamente o «desastre» que não deseja, além de ter a necessidade de consultar um psicólogo durante muito tempo. Melhor é prevenir e prevenir-se não deixando que «as coisas aconteçam».
Veja se consegue também, com a sua companhia ou com outras tarefas, reduzir o tempo de permanência do filho com a rapariga, pelo menos, as possibilidades de contactos
mais íntimos. Mas, não fale mal da rapariga.
Em todas as acções em que o seu filho se empenhar longe da rapariga aplauda-o e encoraje-o a prosseguir. Se conseguir um bom «hobby» ou um desporto absorvente será muito melhor.
Mas não se esqueça, essencialmente, que a companhia da mãe deve ser muito importante para ele, sem sermões ou recriminações, mas com uma amizade de confiança e apoio.
Boa sorte em lidar com esta situação muito melindrosa.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O VALOR DO REFORÇO

"Li o seu post e lembrei-me de perguntar se me pode ajudar a apoiar o meu filho de 15 anos a ter
mais cuidado com a escrita. Dá muitos erros ortográficos. Contudo, gosta imenso de história, ecologia e de biologia. Quase que me obriga a ver com ele os programas da TV ao fim de um dia de cerca de 10 horas de trabalho cansativo. Poderá dar-me alguma ajuda?Agradeço antecipadamente."
Celina Fortuna.


Acabei de ler o seu comentário enquanto «navegava» na internet e vou tentar dar as indicações que me são possíveis.
Não sei qual o ano de escolaridade que o seu filho frequenta, mas julgo que deverá situar-se entre o 7º e o 9º ano.
Portanto, se ele chegou a esse patamar sem deficiências, julgo que o seu nível intelectual deve ser «normal» para poder frequentar qualquer curso médio ou superior. Se assim
for, penso que tem a vantagem de não ter de fazer uma orientação vocacional.
Se, como mãe, tem a ambição natural e «normal» que o seu filho escreva bem a sua língua materna, está no seu direito (e obrigação?).
Já deve ter compreendido que o reforço do seu filho é inteirar-se sobre assuntos de ecologia, biologia e história e ter a sua companhia ou a demonstração do seu interesse por esses assuntos.
O que posso dizer sobre isso é aconselhá-la a ler atentamente pelo menos os 5 volumes de Como Modificar o Comportamento, da Plátano Editora, além de quaisquer outros que dêem exemplos do modo como podemos alterar o comportamento dos outros. Pode utilizat também o livro da JOANA (D).

No seu caso, como o reforço está quase determinado, deixe o seu filho ver os programas e, se possível, tente acompanhá-lo no início dos mesmos apesar de não o ter
incentivado para isso. Logo depois do início do programa, pode pretextar qualquer trabalho a fazer de imediato e pedir ao filho que faça uma pequena redacção ou resumo sobre aquilo que acabar de ver e que também a si interessa. Se ele quiser fazer um comentário, melhor ainda.
Depois, quando tiver tempo e disponibilidade, torna-se imprescindível que a senhora peça esses resumos ou comentários e, além de elogiar a sua elaboração, vá comentando com o filho as suas falhas de escrita, ortografia, caligrafia ou construção do texto mostrando as vantagens que, com a correcção dos mesmos, ele pode ter no futuro, quando for um bom investigador ou perito na matéria. Por isso, até o pode ajudar a corrigir os erros e pedir que ele continue sozinho a fazer o mesmo consultando dicionários, internet, etc.

Assim, com o reforço que lhe vai dar com a sua participação no evento, não quando ele deseja mas
quando é possível para si, pode conseguir que ele, na brincadeira, consiga melhorar um pouco na parte de escrita. Além disso, pode ter a vantagem de não ter de consultar um gabinete de orientação vocacional por ele já ter escolhido a sua futura profissão.
Ou será apenas a companhia da mãe que lhe interessa durante os programas de televisão? Se assim for, o problema é outro mas, nos livros de que falei, também pode descobrir uma nova forma de agir.
Veja bem como se aplicam as técnicas de moldagem e reforço do comportamento incompatível.
Pode consultar os meus posts com exemplos das mesmas.
O que mais desejo para si é boa sorte ou nova pergunta.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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