domingo, 22 de fevereiro de 2009

GOVERNAR «BEM» NÃO É FÁCIL **

Governar «bem» não é fácil nem quer dizer «governar-se» bem.

Num comentário que fiz no blog  Compincha disse que tinha lido com curiosidade o conteúdo do post CARNAVAL CENSURADO, de 21 FEV 2009 e que poderia fazer uma intervenção no meu blog, mas que não será apenas sob o ponto de vista dum psicólogo.

Hoje voltei a consultar o blog e a ler outros posts sobre Milagreiros e Trapaceiros (19 Out 08), A Política Partidária (23 Out 08), A Governação Actual (25 Out 08), A Coerência (26 Out 08), O Pragmatismo (28 Out 08), A Panela de Pressão (02 Nov 08), O Barraca e o Embuste (5 Nov 08), etc..

O assunto interessa-me bastante porque se enquadra na Psicologia Social que estou a leccionar no ISMAT. É entusiasmante estudar e compreender os «digladiadores» políticos especialmente nos momentos de eleições e outros semelhantes.
Mas a sua tentativa de manutenção do poder também é interessante.


O sociólogo francês Gustave Le Bon, em princípios do século passado, dizia acerca das mesmas, na sua PSICOLOGIA DAS MULTIDÕES, que:  "quaisquer que sejam os indivíduos  que as componham, independentemente dos seus modos de vida, profissões, carácter ou inteligência, «perdem-se» na mesma e praticam actos que isoladamente não seriam capazes de executar, parecendo que a multidão tem um «pensamento colectivo»"

Também disse que “o seu nível intelectual se situa abaixo do individual e que nos seus comportamentos exprime emoções de «seres primitivos».”

Isto terá a ver alguma coisa com os partidos políticos?
Por sua vez, Quirino de Jesus, conhecendo bem este livro diz que “Quem, governa tem de aproveitar todas estas forças e manejar as alavancas do espírito público”. Mas adverte que “é preciso cuidado
com o alcance prático a dar aos mitos para se não cair em ilusão perigosa e não iludir os outros.”

Esta carta de que o referido post fala, foi escrita a Salazar pouco antes da morte do seu autor em princípios de 1935.
Quirino de Jesus era o principal ideólogo de Oliveira Salazar e aquele que mais o ajudou e incentivou a permanecer no Governo.
Tendo começado a vida política como deputado em 1921, Salazar não foi capaz de iniciar a sua actividade no Parlamento.
O mesmo aconteceu em 1926, por causa das alegadas disputas e distúrbios sociais existentes no Governo, quando foi convidado para Ministro de Finanças do Governo de Mendes Cabeçadas.
Posteriormente, em 1928, depois da consolidação da Ditadura Nacional iniciou-se como Ministro das Finanças continuando até 1940.
Com forte apoio do General Carmona, aprovação da nova Constituição de 1933, constituição da União Nacional e repressão de toda a oposição através da polícia política e da censura, foi continuando a sua governação até se tornar «Pimeiro-Ministro em 1940.

A sua influência política com poder legítimo no início, passou a ser exercida através do poder coercivo com o apoio da polícia política e da censura em permanente acção. Acerca disso, Quirino de Jesus, antes de morrer, tinha começado a vislumbrar alguns «desvios» na política e exercício de Salazar e já o advertia:

“Se me agrada tudo que crie um pouco de ideal, temo o desenvolvimento excessivo do poder publico que considero útil temporariamente, mas só num tempo curto. A censura é hoje um obstáculo à crítica constructiva. A pretexto de se eliminar a critica demolidora e
mal dizente matou-se a critica fiscalizadora, fez-se o silêncio à sombra do qual medram as mediocridades. Já no poder se vê com maus olhos que tratem scientificamente certas questões só porque as conclusões da sciencia se não harmonizam com os prejuizos de quem manda. É o abuso do poder, que não tem controle. Isto é mal, é vicioso, desvirtua o espirito publico.
Como seria util estabelecer em bases concretas e acomodadas ás forças do pais o código regulador da censura!
Como está, é o arbítrio do poder dos pobres homens que perdem noites a ler os jornais e a estragá-los muitas vezes. Há uma crítica constrictiva e moderadora dos impulsos hitlerianos de certos pequenos despotas.
Construir e moderar seria obra de boa imprensa. Estive dois dias no norte a ver escolas (25 e 26) e por lá encontrei casos que justificam o que acabo de dizer sobre a imprensa.”

Em Psicologia Social, Salazar aproveitou bem as forças e manejou as alavancas do espírito público mas não teve o cuidado necessário com o alcance prático a dar aos mitos, para se não cair em ilusão perigosa e não iludir os outros. 
Foi assim que conseguiu «minar» a obra de consolidação económica e social iniciada nos primeiros anos da sua governação. Depois da «falta» de Quirino de Jesus, pouco tempo mais durou o bom senso necessário a um governante que deseja ser sério e não falacioso como os muitos que nos aparecem pela frente ao longo da história. Se houvesse outros «Quirinos» que o ajudassem a pensar na influência social e poder social de que ele dispunha e necessitava para a sua governação ou para a passagem do testemunho a outras pessoas «mais jovens e competentes e menos preconceituosas» talvez não tivéssemos chegado tão rapidamente à cauda da Europa onde podemos continuar por longos anos se a educação e a instrução continuarem a ser
tão menosprezadas e vilipendiadas como até agora.
Basta apenas reler, com cuidado e concentração, o período da carta de Quirino de Jesus (destacado a negro) para verificar que em 1934, os desvios já tinham começado e estavam a ser evidentes até nas escolas onde se desenvolve prioritariamente e com facilidade toda a formação científica, moral e cívica dos cidadãos de qualquer país e, especialmente, dos que serão os futuros governantes.
Quase sempre, a ignorância é muito oportuna e favorável para «enganar» também os incautos.
E em terras de «Chico esperto» ainda mais!

Para quê servem os comícios, às vezes, com «comes, bebes e divertimentos»? Porquê os discursos «inflamados» dos candidatos em vez duma «exposição» serena dos seus pontos de vista, propostas e pretensões? Para quê as «palhaçadas» que alguns fazem, anos a fio, para
continuarem no poder talvez ainda mais do que aqueles que os próprios consideraram como «fascistas»? Se não podemos «confiar» nas multidões, como poderemos confiar naqueles que as manipulam a seu favor? A FNAT, as Casas do Povo e o futebol serviram para muito: “com papas e bolos se enganam os tolos.”

Em Psicologia Social, especialmente os «fazedores de imagem» destes políticos, conhecem muito bem os efeitos do reforço do comportamento incompatível, comunicação, halo, boatos, atribuição, atitude, primazia, frustração, conformismo, facilitação social, dissonância cognitiva, etc. e «manipulam» tudo a seu favor tal como os vendedores de automóveis, imobiliário e cosméticos.
O importante em tudo isto e para reverter a situação, é o público em geral ser suficientemente instruído e autónomo para poder resistir aos constantes «ataques» que lhe são feitos a todo o
momento nos meios de comunicação social e promocionais.

Essa instrução não foi nem tão pouco é facilitada e implementada pelo poder político.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.
  
Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

AS ATRIBUIÇÕES


“No Domingo à noite vi a reportagem da SIC sobre a Joana e a Maddie e fiquei baralhado com a apresentação dos factos, investigações, conclusões e consequências que se tiraram e continuam a ser tiradas de casos que «bradam aos Céus» mas que parecem ficar a ter menor importância do que as pessoas vivas nelas envolvidas.
Embora não o conheça pessoalmente e também não deseje identificar-me, tenho visto o seu blog e o endereço nele indicado, o qual me vai servir para enviar esta mensagem em que lhe peço para dizer alguma coisa do seu ponto de vista (psicólogo) tal como respondeu anteriormente a José Carrancudo e a João Abelhudo.”


Senhor Não Identificável.
Recebi a sua mensagem há dias mas só hoje posso responder porque tive alguns trabalhos a fazer e não arranjei tempo disponível para «pensar» no seu assunto.
Antes de tudo, devo dizer que já «passei» por muitos locais da Internet e vi muitas mensagens e opiniões muito contraditórias sobre o assunto. Tudo o que se passou nos dois casos é complicado e não é à psicologia, mas sim à investigação criminal que compete dar alguma opinião sobre o assunto a não ser no campo da psicologia social.
Como não existem muitos vestígios concretos e evidentes e muito menos provas, os investigadores têm de seguir pistas que são «atribuições» que se vão fazendo à medida que se obtêm testemunhos, indícios ou evidências que possam conduzir a novas pistas.
Contudo, para falar em evidências válidas depois do «desaparecimento», acho estranho que a mãe da criança, segundo consta, não tenha telefonado imediatamente para a Polícia e se tenha preocupado, primeiro que tudo, em telefonar para familiares e/ou agência de notícias.
Custa-me também aceitar que as pessoas presentes no jantar não tenham conseguido «precisar» uma hora aceitável para indicar o momento em que a mãe de criança a foi tentar ver pela última vez.
Os testemunhos dos empregados e dos acompanhantes dos pais também parece que não são coincidentes. Segundo consta, houve empregados ou conhecidos que apresentaram versões diferentes das que circularam «oficialmente» nos meios de comunicação social. E parece-me até que os pais, mais do que todos, insistiram na hipótese do rapto. Porquê?
Também me custa admitir que as crianças tenham ficado «ao abandono» enquanto os pais jantavam quando dizem que elas sempre tiveram companhia em noites anteriores.
Donde e porquê veio o dinheiro para o fundo que existiu, neste caso, quando parece que pouca gente se interessa por outras crianças desaparecidas? O que foi feito desse «fundo» e como foi despendido? Com tanto «alarde» que os pais fizeram, não deveriam ter dado conta dessas «contas»?
A movimentação dos pais utilizando meios de comunicação social, assessores de imagem (especialmente o do Primeiro-Ministro da Inglaterra), vinda a Portugal de emissários ingleses a alto nível, intromissão dos pais nas altas esferas políticas e eclesiásticas, tardia constituição do casal como arguidos, sua rápida solução e quase desculpabilização, promessa deles de que não sairiam de Portugal enquanto não deslindassem o caso, seu rápido volte face em relação ao assunto, posterior tentativa de culpabilização da polícia portuguesa, ilações tiradas com o caso da Joana e actual posição de não ingerência, deixam-me sérias dúvidas sobre tudo isto.
Pais tão religiosos e amigos dos filhos, deixam-nos em casa a dormir sozinhos, sem qualquer companhia e vão jantar, durante horas, com «copos» e «amigos», a pelo menos 200 metros de distância e fora das suas vistas, sem qualquer preocupação? Isto não será negligência?
E se algum dos filhos se sentisse mal e acordasse, quem o socorreria e que apoio teria naquele momento crucial e de aflição? Teria de ficar 30 minutos à espera para que os pais aparecessem, conforme eles afirmaram? É assim que se tratam os filhos com menos de 4 anos?
As noções de psicologia sobre desenvolvimento humano e educação obtidas dos mestres ingleses e americanos não preconizam procedimentos semelhantes e até os nossos parentes «irracionais» eram capazes de não proceder assim. As séries do National Geographic bem
demonstram o contrário!

No fim de tudo isto, o que posso fazer é apenas uma «atribuição», baseado pelo menos nestes dados que acabo de indicar, de que parece existir da parte dos pais da criança uma predisposição para que a assunto não fique deslindado. Também posso admitir que se está a utilizar, de vez em quando, a técnica do «reforço do comportamento incompatível» para desviar as atenções para assuntos que são totalmente alheios à descoberta da verdade.
Foi assim (desviando a atenção) que roubaram a carteira do bolso direito do meu casaco numa viagem de Metro, entre Arroios e Intendente, quando um senhor muito simpático me pedia desculpas por ter embatido, sem querer no meu ombro esquerdo.
Como psicólogo, não consigo dar outra resposta, embora, como cidadão, possa suspeitar que existe algum jogo escondido atrás de tudo isto, tal como as actuais fraudes bancárias. São todos inocentes e acima de qualquer suspeita.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O SINDROMA PÓS-TRAUMÁTICO


Estou a tentar responder a um e-mail que recebi ontem e cuja essência vou transcrever a seguir:

“vi no telejornal um psiquiatra especialista em sindromas pós-traumáticos, como os da nossa guerra colonial, dizer que existe um medicamento novo que faz desaparecer ou reduzir as memórias traumáticas da guerra. O que me diz a isto como psicoterapeuta que é e que até tem alguns livros sobre temas semelhantes?”

A resposta que lhe posso dar é muito simples e até está contida na psicoterapia com o Januário no livro: Psicoterapia Para Quê? Este assunto ficará mais explícito em futuros livros prontos para publicação. De qualquer modo, os livros: E Quando o Rei Vai Nú e Depressão Não é Uma Doença e outros, de Carlos Lopes Pires, sobre o efeito das drogas nos consumidores, são importantes para compreendermos este fenómeno. Além disso, o modo como os traumatismos se formam também é abordado em Saúde Mental sem psicopatologia.
Que eu saiba, não existe qualquer comprimido que possa seleccionar uma memória para a tentar reduzir ou eliminar. Portanto, quando um comprimido actua sobre a memória actua sobre o seu conjunto do mesmo modo como o álcool actua sobre a inibição ou sobre a capacidade de excitação do sujeito. O que acontece «normalmente» a esse sujeito, é perder o controlo sobre si próprio e, a propósito disso, posso dar o exemplo do Ministro das Finanças do Japão que acabou por pedir a sua demissão devido à «triste figura» que fez numa importante conferência de imprensa.

Poderia também dizer a esse psiquiatra especialista que, se ele não conhece, existem técnicas psicoterapêuticas de dessensibilização, flooding ou saciação, reforço do comportamento incompatível, etc. que, em combinação com a hipnose e a imaginação orientada, são capazes de reduzir os sintomas
traumáticos. Contudo, são contrários ao uso de quaisquer «drogas».

Os instrumentos e as técnicas mencionadas servem para aprofundar, avivar e localizar selectivamente as memórias traumáticas do indivíduo e fazer com que o próprio consiga «descobrir» que os factos associados às mesmas tinham de acontecer e que não poderiam ser evitados. Isso, pode levá-lo a aceitar a realidade nua e crua e aprender a lidar com a mágoa e as contrariedades que tudo isso lhe provocou e continua a incomodar. O importante é «trabalhar» com a mente humana onde essas recordações traumáticas estão registadas e arquivadas. Nada disso se consegue sem a colaboração lúcida e interessada do próprio. Como será possível a colaboração lúcida do próprio se o seu pensamento ou capacidade de recordação for inutilizada com a administração da «droga maravilhosa»?

Na vida do quotidiano, não conseguimos fazer esse ajuste de percepções, emoções e situações quando
duas pessoas estão zangadas? Para que servem as negociações e os mediadores? Qual dos intervenientes necessita de se drogar ou alcoolizar para resolver as coisas?
A emoção de um mal-entendido ou de uma verdade desagradável pode ser reduzida ou minimizada depois de uma boa discussão e de um aclarar das ideias!
Sejamos práticos e deixemos de «engordar» a indústria farmacêutica consumindo fármacos desnecessários. Se alguém «ganha» com isso, não são os psicólogos e muito menos os «interessados» aos quais se chama muitas vezes, utentes, clientes ou pacientes. Os outros técnicos, que digam o que entenderem mas aos psicólogos compete dar o apoio possível dentro dos parâmetros da ciência do comportamento.
E, nesse aspecto, existem, seguramente, meios disponíveis, embora não tão rápidos e espectaculares mas precários, como os das «drogas». São, de certeza, mais eficazes, duradouros, fiáveis e mais do que experimentados em variadíssimas partes do mundo chamado «civilizado».

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.
 
Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A «GUERRA» DAS DESIGNAÇÕES


"CãoPincha disse...
Estás a seguir a discussão e a aceitação quase completa, com excepção da Igreja, de casamentos homossexuais? Às vezes, chegamos a pensar que os psicólogos são rígidos e pouco espertos. O que dizes a isso?"



Caros Senhores CãoPincha.

Li o vosso comentário do dia 11 de Fevereiro acima citado e prometi responder logo que tivesse possibilidade. Vou fazê-lo apenas com base na ciência e na ética que tento praticar na minha qualidade de psicólogo. Consultei também o vosso blog que diz algumas coisas com as
quais concordo. Estas discussões que agora surgem sobre temas de pouco interesse para a nossa economia e desenvolvimento parecem-me, mesmo como psicólogo, uma luta política ou um braço-de-ferro entre duas ideologias e nada mais do que isso! Mas vamos ao que mais interessa no momento.

No meu post CASAMENTOS, UNIÕES E HOMOSSEXUALIDADE, de 10AGO2008, que agora foi comentado, faço a distinção entre casamento e união do mesmo modo como a faço entre neurose e psicose. Digo mais que “não sou contra as uniões” e acrescento que “para mim, algumas situam-se muito mais no espírito do verdadeiro casamento”. Contudo, quando falo em “um grau de ponderação exigível no casamento” refiro-me à diferença de sexos. A diferença de sexos existe e é uma realidade que até se tenta repor quando a natureza «prega partidas». Quando não é possível, toda a gente aceita (ou deveria aceitar) os factos com toda a
naturalidade. Não vale a pena diagnosticar e «tratar» a neurose como se fosse uma psicose ou vice-versa. São duas entidades nosológicas diferentes que não vale a pena confundir mas que têm de ser compreendidas na sua essência e «tratadas» como tal. Ninguém se zanga por isso, mas talvez houvesse quem se zangasse se houvesse confusão...

Casamento é uma união sexual entre indivíduos de sexo diferente (não digo oposto). Isto não pressupõe que não devam existir uniões entre indivíduos do mesmo sexo, com os mesmos direitos cívicos, económicos, financeiros, legais ou quaisquer outros mais diversificados que os casamentos heterossexuais possam ter. Tudo isto não tem coisa alguma a ver com a moral mas apenas com a ordem natural das coisas. Nada tem a ver com a religião mas sim com as leis da natureza. Se assim não pensássemos, não haveria direito a patologias, doenças, deficiência, reabilitação, reeducação ou integração.
Se tudo isto se passa apenas por causa da designação «casamento», qual a razão de não se querer
confundir coronel com tenente-coronel ou major com sargento? E se chamássemos otorrinolaringologista a um estomatologista ou a um gastrenterologista? Se tratássemos um biólogo como veterinário que resultado iríamos ter? Ambos lidam com animais.
Por mim, contem com todo o apoio a uniões que necessitem de legislação que dê estabilidade e apoio à sua sobrevivência, especialmente se trouxer a felicidade aos interessados e bem-estar à sociedade. A protecção dos interesses específicos nada tem a ver com as designações. E se até ao mesmo objecto estamos habituados a dar designações diferentes, qual a razão de dar o mesmo nome a coisas diferentes?

Senão, vamos eliminar as designações de amendoim, alcagoita, ervilhana, ginguba e mancarra ao mesmo comestível, assim como podemos também proibir os nomes de bilbaine e trauliteira dados e um simples boné.
Toda esta discussão é completamente ilógica e só serve para exacerbar os ânimos de quem discute e «quer ganhar». Não sei o quê. Porém, não me obriguem a ser homossexual porque não me dá jeito algum.
Há anos, até me revoltei contra a estupidez de «irradiar» um técnico excelente de um «serviço público» logo depois do célebre «25 de Abril», só por ser homossexual, mas com uma justificação oficial diferente. Provavelmente, um dos que o tentou eliminar, ambicionaria a «vaga» que ele deixaria com a sua saída!
Posto isto, aceito o vosso reparo de que os psicólogos parecem, às vezes, ser rígidos e pouco espertos, mas julgo que, neste caso, não existe qualquer rigidez de pensamento mas apenas a exigência duma clarificação de conceitos. E isso não quer significar rigidez de pensamento ou falta de «esperteza».

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.



sábado, 7 de fevereiro de 2009

OS BOATOS


“O que dirá um psicólogo acerca das confusões em que estamos metidos para além das trapalhadas económicas e financeiras que estamos a atravessar e que necessitam de soluções sensatas, firmes, rápidas e não-interesseiras?
João Abelhudo”


Caro senhor João Abelhudo,
Recebi ontem o seu longo mail e só transcrevi o essencial ao qual vou tentar responder imediatamente porque é um assunto que me interessa e preocupa também como cidadão.
Vendo outros blogs, descobri que o compincha.blogspot.com faz considerações sobre muitos assuntos políticos e até pondera ir votar com o voto riscado, provavelmente, para dizer que não confia nos políticos portugueses.
A única maneira que eu tenho de responder à sua carta com sinceridade é dizer que apenas devo poder dar alguma explicação relacionada com a Psicologia Social. Tudo o que não se situar neste âmbito, é uma especulação política «pessoal e intransmissível» porque eu também não posso deixar de me preocupar com esta situação política, económico-financeira e de crise de valores éticos.
Como já disse, vi em alguns blogs intervenções relacionadas com a nossa governação e com a dos EUA. Também vi falar acerca dos governantes e das oposições. A partir de tudo isto, uma análise rápida e preliminar de vários factos e notícias ambiguidades. Propõem soluções milagrosas que, passado algum tempo, não dão o efeito proposto e desejado. Actuam lentamente e de forma inadequada, parecendo às vezes, que estão a esconder qualquer coisa ou a desculparem-se com justificações disparatadas.
Proporciona a oportunidade de verificar que os nossos governantes falam muito, dizem muitas coisas bonitas, pouco precisas e sujeitas a confusões e imprecisões.
A análise sobre o nosso sistema de educação é um dos exemplos.
É da OCDE? É com técnicos da OCDE? É com modelos da OCDE? Ou é outra coisa qualquer e a sigla OCDE foi utilizada para «espantar o burguês»?
Por exemplo, num outro contexto social do nosso mundo ocidental, duas individualidades propostas pessoalmente pelo Presidente Barack Obama para o seu elenco governativo foram por ele, imediatamente, postas de lado no momento em que se soube que não tinham pago os seus impostos. Além disso, o Presidente assumiu o seu erro e não apresentou justificações.
A Europa também parece estar a querer seguir algumas das ideias agora discutidas e difundidas. Em Portugal seria assim? Contudo, não acredito que Bush teria reagido do mesmo modo! O Durão Barroso que o diga.
Os casos de Freeport, Casa Pia, Apito Dourado, Furacão e outros que tais, apresentam muitas «informações» acerca do assunto com os principais intervenientes ou visados a virem imediatamente à liça apresentar justificações, desmentidos, comunicados, etc., que nada de concreto dizem a não ser que eles são inocentes e estão a ser vítimas de calúnias, chantagens e campanhas multicolores, quando não são «cabalas».

Se é verdade o que eles dizem, qual a razão de negar os factos em vez de os relatar em primeira mão? Nós saberíamos avaliar a «verdade» que eles proclamam. Tudo isto conduz a muitas dúvidas. O que aconteceu e continua a acontecer com Vale e Azevedo? Estas dúvidas fazem com que as pessoas pensem: “Se foi assim na situação anterior, não será o mesmo na actual?” Chega-se assim a fazer uma atribuição baseada, provável e eventualmente, em dados pouco fidedignos e erróneos.
Além disso, como a maioria destes factos se relaciona com assuntos que interessam a todos os cidadãos e os intervenientes são do «domínio público» (governantes, figuras públicas, pessoas «distintas», etc.), as dúvidas assim provocadas fazem com que a percepção fique distorcida e ocasione boatos que se vão propagando, dando a impressão de que existe interesse que certos factos propalados no momento sejam admitidos como verdades as quais se desejam esconder do público.

Deste modo, a intensidade desses boatos vai aumentando em porção directa com o interesse na notícia a circular e com a ambiguidade da mesma. Nestes termos, a intensidade do boato é proporcional à ambiguidade da notícia, multiplicada pelo interesse que a mesma tem no momento.

Se nos quisermos referir ao nosso momento actual, uma das notícias que têm o maior interesse para o público em geral é o «caso do FREEPORT» porque um dos envolvidos é o Primeiro-Ministro e a sua competência e honorabilidade são importantes para todos os portugueses. As notícias que circulam acerca disso com omissões, comunicados, desmentidos, «defesas gratuitas», acusações de ataques pessoais, etc. são tão forçadas e ambíguas que, por si só, aumentam a intensidade do boato.
Ninguém melhor do que o próprio sabe se isso é boato ou não. Não basta apenas ele afirmar que não.

É necessário que o demonstre e que as pessoas estejam convencidas disso. Nesta situação concreta, no caso afirmativo das notícias postas a circular serem apenas boatos, bastava que o próprio dissesse publicamente, apenas uma vez, que tudo era mentira e que desejava que a Justiça esclarecesse os factos com toda a celeridade, pondo-se à total disposição da mesma.
E em jeito de conclusão podia acrescentar, à guisa de mote dado há poucos anos: “E agora, deixem-me trabalhar” sem nunca mais responder a qualquer pergunta sobre o assunto.

Necessitamos de políticos e governantes competentes, honestos, corajosos e eficazes. E cada vez que acredito num, passado algum tempo, apanho com um balde de água fria na «moleirinha».
Da maneira como as coisas estão a correr, a intensidade do boato, se de facto não for falso, pode ir corroendo a «verdade».
E depois como será?

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R),
destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.
   

Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA
É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

OS «ACASOS» PODEM COMPENSAR ?


D. Esmeralda,

Li ontem o seu comentário ao meu post DESOBEDIÊNCIA? e hoje acabei de receber a sua carta que mais me parece uma proposta de solução do «caso» do seu filho do que uma pergunta qualquer. Por este motivo, vou inverter os papéis e transcrevê-la a seguir quase na íntegra, como se fosse a minha proposta de solução.
Espero que, com o vosso empenho e com o contacto que estão a manter com o Antunes, tudo continue a «ser assim» tal como descreve. Não existe qualquer outra pessoa, por mais especializada que seja, que possa substituir a nossa colaboração e empenho. Isto até se verifica na recuperação das doenças orgânicas. Que seja por longo tempo e, se encontrarem os avós da Cidália, aproveitem também a companhia deles.
O Antunes é um velho amigo meu que, através dum contacto com outro quase amigo dos dois e
vizinho de familiares do Antunes, reencontrei depois de muitíssimos anos.
No vosso caso, o livro que vai ler (PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?), os da modificação do comportamento e os da «Joana» são os mais importantes. Verifiquem que até uma criança pode aplicar as técnicas de modificação do comportamento se for bem orientada e apoiada, especialmente a técnica do reforço do comportamento incompatível.Como têm contacto com o Antunes peçam-lhe a revista «Conhecer a Pessoa», de 1983, leiam o artigo «Os Encontros do Acaso e os Caminhos da Vida», e descubram a maneira de aproveitar as oportunidades de maneira criativa. Oxalá que acontecesse o mesmo com a nossa economia e com o nosso eterno atraso em relação à Europa e ao resto do mundo.
Pode ser que o «encontro» do seu marido com a filha do Antunes tenha sido um feliz acaso capaz de mudar toda a vossa vida.
Tirem bom proveito da situação. A sua carta vem a seguir.
Boa sorte.
Mário de Noronha

“Há dias, tentei fazer um comentário acerca da resposta que deu no seu post DESOBEDIÊNCIA?, mas não consegui publicá-lo. Não sei se conseguirei, mas vou escrever-lhe esta carta, que o acontecimento bem merece.
Como eu tinha uma consulta médica na semana passada, o meu marido teve de ir buscar o filho à escola.
Quando chegou a vê-lo, aproximou-se e reparou que ele se despedia duma rapariga que tinha um livro na mão e parecia estar à espera de alguém.
Ao abeirar-se do filho e da rapariga com quem ele falava, verificou que ela tinha na mão o livro
PARA QUE SERVE A PSICOLOGIA?, que parecia já muito «usado».

Aproximou-se dela, cumprimentou-a e perguntou-lhe o que fazia com aquele livro na mão, visto que ele já o tinha tentado comprar, no Porto, mas não conseguira. A rapariga informou-o que o livro era para emprestar a uma amiga, como muitas vezes fazia, e que o pai tinha alguns exemplares em casa, porque era muito amigo do autor do livro. Entretanto, quando a mãe dela chegou, o meu marido teve oportunidade que ela o esclarecesse que o interlocutor principal do livro citado era seu marido e que no dia seguinte, Quarta-feira, ele iria à escola buscar a filha. Era assim todas as semanas, porque ela aproveitava essa tarde para estar num «programa» de apoio a crianças e o marido passava a manter uma ligação mais íntima com a filha. Era bom que assim acontecesse para além dos fins-de-semana.
-- Já que está tão interessado no livro porque não fala amanhã com o meu marido? – perguntou e

acrescentou -- vou informá-lo do seu interesse pelo livro.
No dia seguinte, o meu marido quis ir buscar o filho e encontrou o Sr. “?” Antunes.
Através dele, que lhe ofereceu um exemplar desse livro, soube que o principal interlocutor do mesmo era ele próprio e que estava à espera que fossem publicados outros dois, muito mais importantes e já terminados:
«ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (Desequilíbrio psicológico? A auto-terapia possível)» e «EU TAMBÉM CONSEGUI!».

Ambos estavam relacionados com psicoterapias. O protagonista do primeiro eraele próprio e, do segundo, era a neta de amigos seus e muito amiga da filha. Tanto o Antunes como a neta de amigos seus tinham realizado quase uma proeza de se reequilibrarem e reorganizarem a sua vida e até a da família depois de alguns
dissabores. Todas as peripécias estavam descritas nesses livros. Não conseguia compreender a razão da não publicação a não ser uma certa desilusão demonstrada pelo autor, na época do Natal, quando lhe dera as Boas-Festas.
— Mas o senhor não se chama Antunes! – exclamou o meu marido e o «Sr. Antunes» prontamente respondeu que o autor gostava de rebaptizar todos os personagens para que não existisse qualquer «reconhecimento» e acrescentou – Eu não me importo, mas ele não gosta de expor as pessoas e eu respeito. Contudo, posso dizer a quem quiser que sou o protagonista.
Entretanto, quando tivemos oportunidade de nos encontrarmos com os Antunes, depois de ler o livro,
 sabendo da história do meu filho, aconselhou-nos a ler a história da Joana, que também 
emprestou, e que nos deu imenso jeito.
Da maneira como falou connosco ajudando-nos a «descobrir» o reforçador a ser utilizado com o

nosso filho, fez-nos parecer que sabia bastante de Psicologia e que era «um lutador» autodidacta e quase auto-suficiente.
Soubemos depois que tinha sido colega do autor, há quase 50 anos, no 1º ano de Direito e que, naquela ocasião, ambos tinham ficado afastados dos estudos por motivos de força maior.
Depois das diversas conversas com o Antunes e com o exemplo que ele nos estava a dar em relação à filha, começámos a mudar o nosso estilo de vida e de interacção familiar e quase que estamos a obter resultados surpreendentes. Pelo menos, o filho fala connosco durante muito mais tempo e graceja. Continuará a ser sempre assim? Obrigada por tudo.
Já que gosta de rebaptizar todos, pode chamar-me Esmeralda.”


Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem

enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


Consultou todos os links mencionados neste post?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.