domingo, 14 de setembro de 2008

RESPOSTA A UM COMENTÁRIO


"Estes posts não serão mais moralistas do que práticos?"


Antes de tudo, agradeço, a sua pergunta no post STRESS que me ajuda a reflectir um pouco mais sobre aquilo que escrevo.
Julgo que todos temos uma «maneira de ser» que se vai formando com a estruturação da personalidade desde que deixamos de estar na infância, antes dos 10 anos.
Essa «maneira de ser» enforma quase todos os nossos actos que, como respostas aos estímulos do meio ambiente, seriam diferentes se a mesma fosse moldada em terras, famílias, climas, crenças e valores culturais diversos dos actuais.
Contudo, aquilo de que eu falo, a pedido das pessoas ou estimulado por elas, é ciência. 
Digo o que acontece, manciono causas e efeitos.
Tento constatar factos, estudá-los e fazer a previsão dos acontecimentos duma forma «amoral», isto é, sem dizer se é bom ou mau. Nestas circunstâncias, posso prever que se lançar um dardo, ele deve cair num determinado ponto no sentido em que o lancei. 
Contudo, se a minha percepção desse alvo não estiver correcta por não tomar em conta a força com que o devo lançar, a lei da gravidade e outras forças intervenientes no processo físico, posso falhar.
Nas minhas intervenções, não digo se um dardo deve ser lançado.
Esta decisão, tomada de acordo com a sua moral, ética, necessidades, etc., compete a quem o lança ou tem de o lançar. Querer lançar ou não o dardo pode ser uma decisão moral, mas dizer que o dardo terá uma determinada trajectória, que pode provocar um certo impacto ou ser impedido de atingir um determinado alvo por um certo obstáculo, não implica moral.
Eu tento funcionar assim: dizer aquilo que, segundo os conhecimentos que adquiri até ao momento,
me parece que poderá acontecer, se houver certas contingências anteriores. Tento não fazer mais do que isso, dando a minha opinião científica a quem ma pediu.
Por exemplo, não digo que é bom ou mau ir ou não aos espectáculos da Madona; isso poderia implicar moralismo. Contudo, posso dizer, sem qualquer intenção moralista, que eu não iria mesmo que me dessem um prémio chorudo; é uma opinião.
Ouvimos agora falar constantemente em roubos de carro e de gasolineiras com violência e com recurso a armas de fogo. Não digo se é bom ou mau, embora pense que é péssimo. Péssimo para o funcionamento da nossa sociedade e até para a segurança mínima das pessoas. Mas posso dizer, seguramente, sem implicar qualquer tipo de preconceito moral que, se os autores desses «crimes», tipificados pelos códigos penais, não forem impedidos de os perpetrar ou não forem adequadamente punidos ou forem deixados em liberdade, esses «crimes» não deixarão de Como Modificar o Comportamento e de Para que Serve a Psicologia?À Psicologia compete analisar os factos, descobrir as suas causas e prever os resultados das acções a serem tomadas. À Sociedade em geral e aos Governos democraticamente eleitos compete determinar aquilo que se deve fazer para eliminar ou deixar crescer esses tipos de comportamentos ou acções.
existir e até podem aumentar de frequência e intensidade, de acordo com o reforço que os autores dos mesmos tiverem com a sua execução, isto é, aprendizagem. Isto é ciência e não moral. Consta de
Nesta ordem de ideias, os dois posts Divórcio ou Separação e Casamentos, Uniões ou Homossexualidade tentam explicar a minha maneira de pensar e actuar como psicólogo.
Tudo isto se consegue «descobrir» na história da Joana, uma criança que aprendeu muito ao longo da vida, de acordo com os estímulos que lhe foram proporcionados. É por este motivo e com estas experiências que tive ao longo da minha prática clínica que afirmo (talvez com um pouco de «moralismo») que a educação é um dos pilares fundamentais da estrutura da personalidade e do funcionamento duma sociedade.
Quando estive a colaborar com o Jornal de Queluz a partir de 1979, além de outras rubricas, Psicologia Para Quê??? na qual, em forma de relato contínuo, tentei responder às perguntas que os leitores me faziam sobre a educação dos filhos, dificuldades no comportamento, etc. Nessa coluna, tentei não imiscuir a moral nas opiniões que dava, embora não agradassem apenas a pouquíssimos. Os leitores até me pediram para coleccionar tudo num opúsculo. Foi a partir dessa prática e de pedidos de algumas pessoas que resolvi instituir este blog com a mesma finalidade.
mantive uma coluna intitulada
Pode ser que, sem ser voluntariamente, pareça que estou a incluir «moral» nas minhas informações. Mas, de certeza, não é essa a intenção. Por este motivo, estou agradecido pelo comentário que me ajudou a esclarecer esta dúvida que pode existir na mente de algumas pessoas.
Cada um deve decidir de acordo com a sua moral e ética mas é bom que pondere e compreenda bem as razões da sua decisão.


Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

STRESS

“Durante vinte e cinco anos trabalhei nos escritórios de uma fábrica de calçado no Norte, perto do Porto. Sempre me pareceu um emprego seguro e procurei organizar a minha vida de acordo com essa perspectiva.
Casei, tenho dois filhos pequenos, ainda em idade escolar e o meu marido tem um ordenado que só dá para sustentar a casa e a família se também eu estiver a trabalhar.
No entanto, há um mês, a fábrica entrou em falência e eu fiquei desempregada.
Tenha agora 50 anos e muitas dificuldades em arranjar trabalho. Estou muito desorientada, cansada e angustiada e parece-me que o mundo desabou sobre a minha cabeça. Não sei explicar o que sinto, mas com tantas dificuldades e preocupações, até já pensei em desaparecer para sempre. Todos os meus familiares me dizem que o que eu tenho é «stress» e que preciso de consultar um médico ou um psicólogo. Talvez tenham razão; mas para isso é preciso gastar dinheiro que eu não tenho. Quando o meu folho viu o blog disse para recorrer aos seus conhecimentos e pedir-lhe

que me diga o que fazer para melhorar a minha saúde e poder ajudar a minha família.”



Minha senhora:
Embora a senhora possa estar lógica e «normalmente» muito angustiada e desorientada, a realidade que está a viver não é, infelizmente, invulgar e temos de conviver com ela do mesmo modo como se enfrentam os furacões na Ásia e na América do Sul. Por isso, a prevenção é muito importante.
Aproveite o convívio com o seu filho para ver os outros posts que falam de muitas situações anómalas pelas quais as pessoas passam e que enfrentam com determinação para as ultrapassar e até para conseguirem um modo de da melhor. Nada melhor do que enfrentar a vida com realismo e coragem.
Temos de ultrapassar as dificuldades!
Muitas situações de stress são iniciadas com factos que parecem não ter coisa alguma a ver com o mesmo. Parece não haver qualquer nexo de causa efeito.
Por exemplo, aquilo que a Germana relata e que consta na página 14 do livro acima citado é:
“...não se sentia bem com os amigos nem em qualquer outra situação. Parecia-lhe que todos olhavam para ela e a criticavam. Ficava corada e transpirava sem desejar e sem saber porquê. Não conseguia concentrar-se no trabalho e esquecia-se do que tinha de fazer.”Germana estava secretamente «amigada» com o seu chefe directo, um engenheiro, casado, que tinha por ela pouca consideração. A situação desagradável e incómoda em que se encontrava e a pouca satisfação que dela obtinha, deixavam-na com vontade de a evitar mas sem capacidade de o conseguir por sua iniciativa.
É um conflito com a necessidade de escolher entre duas respostas indesejáveis.
Em muitos destes casos a pessoa fica tão «baralhada», desesperada e desorientada que deseja
«desaparecer» e, nesse momento, o que lhe parece mais viável é o suicídio.
Consulte o meu post Divórcio ou Separação?, de 7 de Agosto, em que se fala da situação conflitual que se instala numa criança cujos pais estão para se divorciar. Algumas das perguntas que a criança faria a si própria, talvez numa angústia muito grande e sem resposta concreta e satisfatória seriam:
O que posso fazer para evitar um mau desfecho?
Até que ponto e de que maneira poderei dominar a minha ansiedade?
Como resolver a minha vida depois?
É bom compreender o que aconteceu com a Isilda (Depressão? Não Obrigado!) antes de tentar o suicídio.
Se a situação da Cristina (Sucesso na Vida! Por Que Não?) se prolongasse por muito tempo e ela não conseguisse «ajustar» a sua vida às necessidades reais do momento, talvez também ela entrasse em depressão.

Hoje em dia, resolveu-se falar muito em stress por tudo e por nada. Segundo dizem, o stress até
«acontece» depois das férias!
O stress é necessário e imprescindível ao longo da vida e para o nosso «progresso» do mesmo modo como são a revolução e o conflito. Contudo, do mesmo modo como a fome é necessária para controlarmos a ingestão correcta de alimentos, um défice ou um excesso pode ocasionar subnutrição ou obesidade. O mais importante é que tudo esteja dentro das medidas adequadas para cada um. Em casos como o seu, os exercícios de relaxamento e tudo aquilo que a Cristina fez (pags. 51 a 59) preparam uma pessoa para compreender perfeitamente o modo como poderá orientar a sua vida apesar das dificuldades que vão surgindo a todo o momento. Acontece com todos, mas alguns gerem as situações melhor do que outros porque adquiriram mais conhecimentos e exercitaram-se o suficiente para as poderem «dominar» tornando-as, às vezes, favoráveis para o futuro.
Um dos factos muito importantes, nestes casos, é aprendermos a ultrapassar a situação desagradável
da maneira mais proveitosa possível e continuarmos a utilizar, no futuro, o resultado dessa
aprendizagem.

Em breve, a Calçada das Letras vai publicar dois livros, um intitulado Acredita em Ti. Sê Perseverante e outro Finalmente Consegui! No primeiro, um técnico de economia e finanças conseguiu fazer sozinho uma psicoterapia (ou autoterapia) que beneficiou a saúde mental da mulher e da filha e melhorou o sucesso escolar desta; no segundo, uma técnica de comunicação social, com alguma ajuda, conseguiu deixar a vida promíscua em que se estava a envolver irremediavelmente para começar uma nova etapa cheia de um futuro promissor familiar e profissional.
Por enquanto, se estiver interessada em atingir um bom resultado praticando os exercícios que são indicados, também pode ler Psicoterapia Para Quê? para saber o que aconteceu com o Januário, marido da Germana.

Nisso, o livro da JOANA  pode ser de extrema utilidade porque todas as informações técnicas são dadas em linguagem muito simples, com exemplos da sua prática no dia-a-dia.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas. 

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 .




sexta-feira, 5 de setembro de 2008

DISLEXIA

“O meu filho tem 9 anos e frequentou este ano o 3º ano de escolaridade.
Sempre foi bem sucedido nos seus estudos, mas ao longo deste ano lectivo, começou a dar muitos erros na escrita e também no cálculo. A professora ficou surpreendida e disse-me que, continuando deste modo, era bem possível que viesse a necessitar de um apoio escolar extra ou poderia vir a ser mal sucedido no 4ºano de escolaridade.
Fiquei preocupada e resolvi marcar uma consulta com um psicólogo nosso conhecido que, como está de férias só o poderá atender a partir do fim de Setembro.
No entanto, enquanto eu estive de férias na Praia da Rocha em casa de uns parentes, tomei conhecimento através de uma amiga deles, estudante de Psicologia no ISMAT, que o

professor de Psicopatologia dela, juntamente com a esposa se tinha dedicado à Psicopedagogia. Soube também que esse mesmo professor mantinha o Psicologia Para Todos através do qual dava informações às pessoas que delas necessitassem.
Poderei receber alguma informação especial que me ajude a resolver o actual insucesso do meu filho?
Além da minha profissão que me ocupa muitas horas, o meu marido está numa comissão de serviço que deve durar mais 8 meses e eu vivo longe dos familiares que me poderiam dar uma ajuda. Tempo disponível, só nos fins-de-semana e feriados; por isso, se o meu filho necessitar de qualquer apoio extra escolar, não conseguirei ajudá-lo regularmente.
Com o enorme desejo que tenho de o acompanhar e para o seu melhor sucesso escolar, até já comecei a ler um livro sobre dislexia.


Pode dar-me alguma ideia que nos leve a uma boa resolução?
Informo que os meus estudos são equivalentes a um bacharelato.
Obrigada pela ajuda que me irá dar com certeza.
Vitalina Lacerda."




Exmª Srª D. Vitalina Lacerda.
Antes de tudo, peço desculpas pela demora.
Estou a responder com algum atraso porque não quis abrir a mensagem electrónica sem ter a certeza de que vinha sem infecções. Toda a cautela é pouca com os vírus que atacam com muita facilidade. Só depois da minha aluna ter telefonado para saber porque não respondia à mensagem, tive a certeza que a mesma era de confiança.
Quanto ao caso do seu filho, seria bom que um psicólogo fizesse o despiste e o acompanhasse. Ele pode ter também alguns problemas psicológicos devido à ausência, do pai, embora temporária.
No caso da filha do Antunes, foi ele próprio que lhe conseguiu dar apoio. Veja como.
Como a senhora começou a ler alguma coisa sobre dislexia, suponho que já deve estar a calcular qual pode ser o problema do filho. Por isso, no âmbito da bibliografia que conheço, posso recomendar que leia o caso do Jorge em REEDUCAR COMO?, especialmente as páginas 63 a 65.
Além disso, os dois livros que lhe fazem companhia são SUCESSO ESCOLAR e APOIO PSICOPEDAGÓGICO.

Repare que pode fazer uma selecção dos itens a ser reeducados, seleccionar, se necessário, o material para a reeducação, fazer a avaliação de progresso, escolher os horários mais convenientes e, essencialmente, utilizar tempos de reeducação pequenos para que a mesma seja mais profícua.
Reservar 10 minutos todas as tardes ou noites para uma pequena reeducação é muito proveitoso porque ocasiona aprendizagem distribuída, aumenta o tempo de interacção com o filho e pode distraí-lo em relação a quaisquer preocupações que ele possa estar a ter com a ausência do pai: é o reforço do comportamento incompatível a funcionar. O Domingo pode ser reservado para uma reeducação mais alargada, com intervalos pelo meio.
No caso do Renato veja como os familiares o puderam ajudar e como a colaboração entre pais e professores deu um óptimo resultado (77 a 93).
No Sucesso Escolar, vai verificar que o problema do Bosco (99 a 114) poderia ser mais «psicológico» do que escolar.
Espero que se lembre de que uma avaliação de progresso é muito importante por causa das nossas «normais» falhas de memória que não deixam avaliar objectivamente os «avanços» e os «recuos».
Desejo-lhe o máximo de sorte para esta tarefa que lhe poderá dar bastantes satisfações no final. E quando o seu marido regressar da comissão não será muito bom ver o filho cada vez melhor?

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.


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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

FOBIA

"Tomei conhecimento do seu blog e, como percebi que também trata problemas comportamentais, penso que pode dar-me uma grande ajuda.
A minha família vive num apartamento no 5º andar. Um dia, quando meu pai descia no elevador para ir trabalhar, este parou de repente e ele ficou lá fechado e sozinho. No entanto, como a avaria foi complicada e só passadas 2 horas é que foi socorrido, saiu de lá muito pálido e quase desmaiou. Nos dias seguintes, utilizou sempre as escadas e, até hoje, nunca mais conseguiu entrar num elevador.
Actualmente, já tem 50 anos e sobe e desce as escadas com muita dificuldade. Nós receamos que a situação se agrave, que ele adoeça e então não consiga mesmo descer e subir as escadas. Somos pobres e não temos recursos suficientes se o meu pai de repente adoecer, visto que ele é o principal suporte monetário da nossa família.


Tenho esperança que possa ajudar-me para que meu pai volte de novo a entrar nos elevadores.
Aguardo a sua resposta."




Recebi a sua mensagem há dias quando tinha entre mãos uma resposta também difícil. Aproveitei o tempo de reflexão para reler alguma coisa sobre as fobias e a modificação de comportamento. Posso dizer-lhe que o seu pai «ganhou» esta fobia dos elevadores com a sensação de alívio que sente em não ir nos mesmos para evitar o desconforto ou medo que o assoberbou quando esteve fechado no episódio que me descreveu.
Isto quer dizer que ele sente reforço secundário negativo aleatório quando não entra no elevador: a fuga livra-o de voltar a sentir, de forma cada vez mais convincente à medida que o tempo passa, o
desconforto que já sentiu outrora.
Em primeiro lugar, foi pena ele não ter sido obrigado a entrar no elevador logo depois do incidente, para verificar que o mesmo não ocorria de novo.
Em segundo lugar, o tempo, a repetição diária dos eventos de «fuga ao elevador» e a sua continuação no tempo são inimigos muito poderosos e aumentam esse medo.
Em terceiro lugar, falar com ele e tentar convencê-lo de que não existe perigo deve ser pouco eficaz.
Em quarto lugar, estes casos só se podem reduzir com uma boa psicoterapia, demorada e com assistência técnica fidedigna.
Veja no Sucesso na Vida! Porque Não? o caso do António e o modo como ele «ganhou» o medo dos gatos. Está lá proposta uma solução terapêutica. Não será idêntica para o seu pai mas pode tirar daí algumas ideias gerais.
No caso do seu pai, se não conseguir ter apoio dum psicoterapeuta, pode tentar conversar com ele
muitas vezes, calma e racionalmente, quase que «obrigando-o a recordar o «seu» incidente e tentar diminuir suavemente o «estatuto» do mesmo.
Quando ele conseguir falar no assunto de forma banal, pode tentar viajar com o seu pai num elevador novo e bom duma casa diferente, só para o 1º andar. Se ele aderir à ideia, depois de voltar a experimentar o elevador várias vezes e de ter a certeza de que ele o utilizaria sozinho, pode acompanhá-lo para um 2º andar. Depois de consolidada a situação, pode tentar subir um pouco mais acompanhando-o até que ele consiga ir sozinho. Deve continuar assim por diante até ter a certeza que ele pode viajar sozinho sem medo e não por vergonha.
Vai necessitar de muita paciência, coragem, sangue frio, capacidade de convencimento e, especialmente de muito tempo e muita calma.
Para isso, necessita de ler bastante. Os livros que recomendo, além do indicado, são os 5 volumes de,
COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO especialmente aquele que é dedicado às técnicas.
Além disso, preocupe-se em tentar perceber muito bem como se utilizam as técnicas de dessensibilização, moldagem, modelagem, reforço do comportamento incompatível e facilitação social.
Pode ter de conjugar todas elas ou escaloná-las ao longo da obtenção dos resultados na psicoterapia. Não vai ser uma tarefa fácil mas, se conseguir, dou-lhe os meus mais sinceros parabéns.
Utilize sempre a razão e o calculismo e não a emoção, a não ser de forma controlada e comedida e «a pedido» como os actores.
Boa sorte.


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sábado, 30 de agosto de 2008

ENURESE

“… que existe este blog no qual talvez possa obter a resposta que me interessa acerca da incontinência urinária que a minha filha de 12 anos passou a ter subitamente desde que a minha mulher resolveu ir viver com o seu antigo namorado.
Julgava que a tinha «conquistado completamente» apesar de ela ter tido com ele um forte relacionamento durante dois anos. Tivemos só esta filha e ela não quis mais. Apesar de não se dar muito bem com a filha, esta dependia muito da mãe porque o meu trabalho é por turnos.
Como não consigo estar regularmente em casa, são os meus pais que tomam conta da neta. Embora eles sejam muito permissivos, afligem-se facilmente com o «chi-chi» na cama e tentam envergonhar a neta para ver se isso passa.
Estou um pouco desorientado porque os avós foram ao médico e ele disse que a menina não tem qualquer anormalidade e que um psicólogo é o mais indicado para resolver tudo isto. Não tenho disponibilidade para ir regularmente ao psicólogo e não quero que os meus pais vão

sem mim. Não consigo ter outra ideia nem sei a que literatura possa recorrer.
Envio a mensagem… Poderá dar-me alguma ajuda já que…”



Sr. Jacinto N.
Ao chegar a ler a sua mensagem de há uma semana, da qual só transcrevi o essencial, lembrei-me logo do livro intitulado «MOLHAR» A CAMA NÃO INTERESSA que se refere ao grande problema de Gelásio apelidado e achincalhado com o epíteto de «Mijão» e que agora está apresentado no livro «PsicoterapiasDifíceis» (M) e também do filho, de mais um rapaz e duma menina que tinham um problema muito semelhante.
Já que não tem tempo para ir regularmente à consulta, vou tentar dar-lhe umas ideias que o podem
ajudar porque julgo que nos intervalos dos turnos não lhe deve faltar tempo para leitura cuidadosa, nem capacidade para pôr em prática algumas medidas necessárias e imprescindíveis.
A resposta demorou todo este tempo porque o aproveitei para reler o livro mencionado e outros, enquanto estou a descansar alguns dias. Tirei algumas notas a fim de lhe dar a oportunidade de actuar com rapidez e eficiência porque necessita de dispor do seu parco tempo em casa para ler, conviver com a filha e tentar «educá-la» o melhor que puder.
Vou dar a indicação das páginas do livro que menciono.
Veja as perguntas que fez o psicólogo e os conselhos que a senhora deu a um pai em condições parecidas com as suas (61-63): o reforço do comportamento incompatível é muito importante até sem qualquer outra psicoterapia.
Veja pelo menos nas páginas 25 e 49 como se faz o registo dos acontecimentos para se tentar estabelecer um nexo de causalidade a fim de se «promover» uma psicoterapia adequada.
Além disso, veja nas páginas 46 a 54 as recomendações feitas e os procedimentos utilizados por toda a família com o filho do Gelásio para a «mudança» do seu comportamento de molhar a cama.
O exemplo do António dado nas páginas 39 a 41 serve como um modelo que também pode ser seguido por qualquer pessoa.
Repare que o registo pormenorizado e temporalizado dos acontecimentos é muito importante para este tipo de terapia.
Se ler todo o livro com atenção, com realce para as páginas indicadas, vai verificar que muito pode fazer para debelar a crise já que, para si, é difícil ir a consultas de psicologia, que seriam bastantes, para que o caso fosse devidamente seguido e
resolvido.
Posso dizer-lhe que os 5 volumes de COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO, também da Plátano, podem ser bastante úteis para compreender o porquê de toda a situação. O post INFORMAÇÃO e as indicações dadas junto do meu perfil podem servir para esclarecimentos necessários à obtenção da bibliografia indicada.
Espero que lhe tenha dado a resposta com indicações para a solução possível, mas garanto que sem o senhor tentar entrar em relexamento, vai ter dificuldade em controlar a sua ansiedade e desejo de que tudo se resolva rapidamente, semesperar qualquer revez que é absolttamento «normal» por causa do pico da extinção.

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO

“Há dias, entrei no El Corte Inglés e vi o seu novo livro sobre SAÚDE MENTAL sem psicopatologia. Comprei-o imediatamente porque na Plátano não existia nem me tinham falado dele, embora a mesma senhora que sempre me atendeu tivesse sido muito simpática e prestável.
Depois de chegar a casa, o meu espanto foi não encontrar o livro na sala onde estava a lê-lo e descobri-lo no quarto do meu filho.
Oxalá que sirva para ele aprender alguma coisa sobre a vida. Sinto-o mais brando e falador. Não sei se estou a conseguir utilizar com ele a tal técnica de «desviar a atenção».
Espero que, desta vez tenha mais sorte do que tive depois da separação do marido.
Já sabe que sou a amiga da Alice.”




Acabo de ler o seu comentário que copiei acima antes de lhe responder.
Quando chegar a ler o meu novo livro intitulado EU NÃO SOU MALUCO! que se refere ao Júlio, vai verificar de que modo foi ele o autor ou o «promotor» das «mudanças» que foram acontecendo na sua vida.
Duma vida pacata, monótona e sem sabor que lhe desagradava imenso, passou a ter uma actividade de agrado, bem remunerada e com prestígio ajudando até os pais e os irmãos a conseguirem um nível de vida muito superior ao que teriam se o Júlio não tivesse «deitado mãos à obra» e recomeçasse a estudar.
Tudo isto aconteceu porque o Júlio se sentiu, sem razão, rejeitado e quase desprezado pelos pais quando, em criança, esteve a estudar em Lisboa por
não haver possibilidade de prosseguir estudos na sua remota aldeia. Por isso, ficou «doente», entrou em depressão e foi medicado.
Contudo, conseguiu a mudança e o reequilíbrio necessários com a ajuda da psicologia e da psicoterapia. Compreendeu os seus infundados sentimentos de inferioridade e abandono e transformou tudo isso em incentivo para uma vida melhor e muito diferente.
Para tanto, teve de «fazer uma viagem» pelo interior de si próprio explorando cada faceta da sua existência.
É por este motivo que insisto muito na modificação do comportamento que vai acontecendo sempre, com ou sem intenção e, às vezes, sem darmos por isso. Por este motivo, volto a insistir que é muito importante raciocinarmos e analisarmos a nossa existência e tentarmos conduzi-la, tanto quanto possível, ao nosso gosto.
Se ler os meus livros sobre as psicoterapias vai verificar que os seus protagonistas muito fizeram para sair da situação desequilibrada na qual se encontravam. O relaxamento e a imaginação orientada ajudam imenso. Existe muita coisa na qual podemos exercer influencia embora também possamos ser influenciados sem darmos por isso. Mesmo assim, podemos contrariar os acontecimentos se estivermos atentos e tentarmos utilizar as leis do comportamento fazendo uma previsão, tanto quanto possível, credível como aquela que fazem, os jogadores de «snooker».
Sabe jogá-lo? Se não, pelo menos vá ver jogar e há-de reparar que muitas bolas entram no saco quando menos esperamos e batem inesperadamente noutras. Porém, para o jogador, não é uma surpresa; é uma previsibilidade. É para isso que ele joga, podendo parecer ao «desconhecedor» que ele está a jogar mal.
No seu caso, pense no seguinte:
Se não tivesse os livros em casa o seu filho iria lê-los?
Depois da senhora começar a ler os livros, o filho não teria notado alguma mudança no seu comportamento?
Se não tivesse falado com a Alice teria pensado em procurar ajuda como o fez agora?
Se o seu marido não se tivesse afastado ostensivamente saberia se ele levava uma vida dupla?
O vosso casamento foi sempre «bom» ou foi aparentemente bom?


Pense em tudo isto, analise, raciocine, veja os pontos fracos e descubra os mais fortes e prepare um «plano de acção» talvez até com a ajuda do filho já que ele agora se mostrou interessado pela psicologia e psicoterapia. Se conseguiu que o seu filho «ficasse» mais falador pode ser que esteja a utilizar a tal técnica do reforço do comportamento incompatível. Aproveite «pensadamente» todas as boas oportunidades mas não seja precipitada.
Desejo-lhe calma e, especialmente, boa sorte.

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