sexta-feira, 20 de março de 2009

TABACO e Ciª

“Sinto-me completamente derreado com o vício do tabaco que adquiri desde muito novo. Tenho 75 anos e uma vida cheia de peripécias passadas nas Forças Armadas. Com mais de uma dezena de anos no Ultramar, já vi pelo menos quatro pessoas morrerem por causa do tabaco. Quase que vejo à minha frente os seus rostos aflitos agarrados a uma garrafa de oxigénio. Eu já não fumo por gosto mas por aquilo que todos chamamos vício e consumo, em regra, um maço por dia. Agora tenho dores nas costas e umas ânsias muito grandes. Por isso, depois de andar em consultas, fui parar ao hospital.
De família, estou bem aviado. Mas, morrer como aqueles quatro provoca-me uma certa ansiedade e medo. Ainda poderei fazer qualquer coisa por mim, pelo menos para não ter uma morte como a daqueles quatro?
Sou o
Lopes de quem se deve lembrar.


Caro Sr. Lopes. 
Recebi, «por boca», a sua mensagem acima transcrita.
O vício que o «apanhou» é difícil de ser erradicado aos 75 anos de idade e, pelos vistos, há pelo menos meio século que o mesmo se instalou. Outra dificuldade é ser «vício» e não «gosto», o que se torna mais complicado de reduzir ou eliminar. Contudo, a vida é sua e sabe o que deve fazer com ela. Se está bem aviado de família, já a consultou e sabe a sua opinião? Que direito tem o senhor de contrariar a vontade duma família inteira que deseja o seu bem-estar? Pense no assunto e decida o mais rapidamente possível. Apesar de muito difícil, depois da morte como os outros quatro, vai-lhe faltar tempo que ainda tem para arrepiar caminho.
Tem duas coisas simples a fazer e qualquer delas não lhe rouba tempo para as suas diversões.

Como me diz que fuma normalmente um maço por dia, a primeira coisa a fazer durante as primeiras duas semanas (a) é retirar todos os dias um cigarro do seu maço e guardá-lo «longe das tentações» numa caixa vazia, num lugar seguro. Fumar o menos possível, sempre que puder, mas acabar o resto do maço aberto, mesmo que seja à força, duma só vez, à noite.
Abrir todos os dias um maço novo e repetir o procedimento nos dias seguintes sem fumar mais, qualquer que seja a desculpa.
Nas duas semanas seguintes (b), repetir o mesmo procedimento, retirando todos os dias dois cigarros e guardando-os na mesma caixa.
Nas duas semanas seguintes (c), repetir o mesmo procedimento, retirando todos os dias três cigarros e guardando-os na mesma caixa.
Repetir o mesmo procedimento - de duas em duas semanas - nas semanas seguintes (d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t), tirando todos dias mais um cigarro do que nas duas semanas anteriores, até já não ter cigarros para tirar ou fumar, isto é, ao fim de 38 semanas.

Se fizermos um esquema, podemos visualizar os procedimentos que os 20 cigarros de cada um dos 38 maços exigem para serem eliminados de vez, começando por fumar 19 na primeira semana, passando a 18 na terceira e a 1 na trigésima oitava semana. E o fartote de cigarros que vai ter na caixa se, por economia, não quiser formar um novo maço quando a caixa atingir 20!

Assim, com uma dessensibilização progressiva ao vivo, ao fim 38 semanas poderá eliminar o seu vício se não o «incentivar» posteriormente seja de que maneira for e em quaisquer condições. Bem existem os amigos «da onça». Por isso, há que resistir aos seus apelos e, às vezes, aos seus dichotes.

Para isso, tem uma segunda via. Pense bem na sua vida, na satisfação que tem em estar «vivo» com os seus. Não menospreze a satisfação que os outros poderão ter na sua companhia vivo e saudável.
Tente praticar pelo menos o relaxamento descrito em 3º, com atenção ao 4º. Está descrito neste blog, em AUTOTERAPIA, de 24 Fev. Se quiser, pode utilizar uma música do seu gosto.
Quando conseguir relaxar-se, de olhos fechados, imagine que está a ver os rostos dos quatro agarrados à garrafa de oxigénio e vá substituindo lentamente a cara de cada um deles pela sua. Será que vai gostar?
E se, em vez disso, estiver bem rodeado da sua família e de boa saúde?Também tem a capacidade de imaginar que, quando pensa num cigarro, este sai inesperadamente do maço, posta-se à sua frente, vai engrossando e, como o cano duma pistola fica apontado à sua cabeça enquanto diz: “Ou deixas de me massacrar ou
acabo-te com a vida”. O comportamento mais sensato perante uma ameaça destas seria deixar de o massacrar. Ao fugir dele, como qualquer pessoa sensata, dando um suspiro de alívio, iria gozar a felicidade de continuar vivo e não morto por esse maldito cano (de cigarro)! Imagine essa fuga e tente gozar esses momentos de prazer.
Como deve estar a fazer isso quando for para a cama depois dos essenciais «sinais de fumo», veja que até este tempo é um tempo perdido. Podia estar a dormir ou a ver uma telenovela! 

Proceda devagarinho e não seja precipitado. O reforço social negativo aleatório é muito «viciante» e, para quem o tem, contrariá-lo torna-se ainda mais difícil.
Tente fazer tantas sessões, quantas puder, de relaxamento e imaginação orientada, mesmo durante o dia e quando descansar depois das refeições. Imagine os maus momentos que pode passar se continuar no vício como os outros quatro e mude para os bons momentos que ainda pode ter com toda a sua família. Pense nas aventuras que viveu na sua vida profissional e das quais não se lembra há muito. Pode ainda utilizar a leitura ou outros passatempos nos momentos em que sentir necessidade de fumar. As primeiras oito a dez semanas poderão ser as mais difíceis.

Estes dois procedimentos podem ser efectuados em conjunto.
Descubra que vale a pena.
Boa Sorte.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.

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sábado, 14 de março de 2009

TIROTEIO & Companhia

“Vi as notícias na televisão e fiquei muito assustada com o que se passou, há anos, na Finlândia e na Alemanha e com aquilo que se repetiu agora. Tenho mais de 70 anos, com dois filhos que me proporcionaram cinco netos entre os 5 e os 19 anos e estou aflita com o mundo de hoje. Lembra-se das tardes e noites na Euterpe Alhandrense? Naquela ocasião, muito fizemos nós para precaver o futuro dos nossos filhos. Conheço-o muito bem mas não me quero identificar. 
Agora, não haverá nas nossas escolas tiroteios semelhantes?
Com o marido doente, a necessitar de cuidados especiais, estou mais longe de si e também das famílias dos meus filhos.
Tudo isto me assusta, talvez mais do que há 40 anos.
Por favor, diga-nos qualquer coisa como dizia nas aulas do
Hospital de Vila Franca de Xira.”



Minha Senhora.
Embora não possa vislumbrar com alguma certeza quem seja, perante este veemente apelo recebido ontem por e-mail, não me resta outra alternativa senão dar uma resposta minimamente coincidente com o pedido. Por isso, em primeiro lugar quero salientar uma resposta muito incipiente que dei a Ernesto Tavares, no meu blog anterior Psy For All , em 2MAR2008, com o título Desânimo ou Depressão?, remetendo-o para leituras complementares. Esse post teve um comentário interessante de um estudante de Psicologia.
Posteriormente, no post Ameaça de Suicídio foi dada outra resposta a Nuno, em 4AGO2008.
Antes de tudo o resto, julgo que a «educação» é o factor mais importante. A educação de que falo, é a aprendizagem que cada um faz com os ensinamentos que recebe, essencialmente da família, mas também da sociedade, com base nos modelos que está a observar e com os quais se tenta identificar. Essa observação e identificação dependem, em muito, da percepção que a pessoa tem dos modelos obtidos, bem como da interpretação que faz dos factos observados. Além disso, é necessário ter em atenção a dissonância cognitiva que pode estar a ser provocada em todo o ambiente em que a pessoa vive.

Quando os pais dizem aos filhos que não se devem ver filmes pornográficos enquanto eles os vêem às escondidas provocará dissonância cognitiva ou não?
De que maneira reagirão os filhos?
Irão ver filmes pornográficos às escondidas enquanto os pais garantem que eles «são uns anjinhos inocentes»?
Quando os pais dizem que a honestidade é a virtude suprema mas tentam ludibriar os seus clientes e o fisco com «esquemas» enganosos existirá alguma dissonância cognitiva?
O que farão os filhos no futuro?
Irão dizer que são pessoas respeitáveis enquanto fazem funcionar actividades como tem acontecido, nos últimos tempos, em alguns Bancos, em Portugal e nos EUA?

Este é um aspecto muito importante a ser considerado. 
Quanto ao último tiroteio na Alemanha nada mais sei a não ser que o pai do rapaz deveria ter muitas armas em casa por ser um desportista amante das armas.
- Que educação teve o rapaz?
- Qual a sua vida familiar?
- Que tipo de personalidade tinha?
- Quais eram as suas companhias?
- O que fazia nas suas horas vagas?
- Era benquisto na sociedade e na roda de amigos?

Como são possíveis comportamentos tão estranhos em países que se dizem «civilizados»?
É muito difícil conseguir «responder», mas é importante olharmos sempre à nossa volta para vermos por quem somos rodeados e tentar compreender e analisar o mundo que nos rodeia. Se alguém tivesse observado melhor o rapaz talvez houvesse maior probabilidade de escrutinar o seu comportamento.

Contudo, não esqueçamos que todos os filmes que vemos e os jogos com que nos entretemos nas diversões informáticas, podem produzir efeitos de reforço vicariante positivo e negativo capaz de moldar e modelar a nossa personalidade. E as personalidades intervenientes nesses jogos que modelos oferecem e são saudáveis?
Também as imagens e os noticiários constantemente difundidos sobre as «desgraças» que vão acontecendo em todo o mundo têm a sua influência, sendo importante a maneira como são transmitidos e apresentados podendo, eventualmente, ocasionar reforço vicariante em alguns:
  • É copo meio cheio ou copo meio vazio?
  • Só faltam 500 metros ou ainda faltam 500 metros?
  • Erraste 1 das 10 respostas ou acertaste em 9 das 10 respostas?
  • A prevenção rodoviária melhorou com 200 mortos nas estradas em vez dos 205 no ano passado ou a prevenção rodviária ainda não melhorou o suficiente porque ainda houve 200 mortas nas estradas em vez dos 205 no ano passado?
Desejamos deitar foguetes antes de tempo ou tentamos «enganar o burguês» para descobrir que, no ano seguinte, a sinistralidade mortal irá rondar os 204? Quanto é que se gastou na prevenção? Quais os resultados obtidos com as medidas tomadas? No que toca à «educação» -- com a necessária repressão se necessária for -- fez-se algo de substancial?
Há anos, quando leccionei Matemática no 1º ano do Ciclo Preparatório, nas avaliações incipientes que tentei fazer das aulas, os alunos perguntaram-me porque não sublinhávamos as respostas que estavam certas em vez de sublinharmos a vermelho as que estavam erradas. A minha resposta, numa tentativa de os motivar insuflando-lhes o EGO, foi:
-- Porque iríamos perder muito mais tempo, já que vocês sabem o suficiente para poderem acertar mais.

Os alunos têm notas negativas como medida de dissuasão e notas altas como incentivo para melhorar o desempenho. 
Toda esta situação faz-me lembrar um «caso» de 1976, apresentado por mim com o título ESTUDO DUM CASO: psicopatia, no 1º Congresso de Psicologia, em Lisboa, em Março de 1979 e publicado nas páginas 25 a 40 do caderno A PSICOLOGIA E AS TERAPIAS, do Centro de Psicologia Clínica.
O mesmo está resumido nas páginas 153 a 157 de SAÚDE MENTAL sem psicopatologia, à espera de ser transformado em livro a ser publicado quando possível.

É mais ou menos o seguinte:
Joel, com cerca de 24 anos, tentou «apertar a garganta» da sua única namorada de há vários anos. Enquanto ela desmaiava no vão do primeiro lanço das escadas de um prédio de vários andares, ele também desmaiou e, quem os viu, alertou os bombeiros que levaram os dois para as urgências do hospital. Diagnosticado como psicopata, Joel foi internado e «tratado» tendo alta ao fim de cerca de dois meses de internamento. Ninguém se lembrou da prevenção e da profilaxia para evitar futuros «acontecimentos» semelhantes.
Contudo, por indicação do psiquiatra que aconselhou a noiva a afastar-se do Joel porque corria perigo de vida, ela emigrou, casou com um rapaz que conheceu no local de trabalho, não é feliz com o marido, mas tem dois filhos. 

O Joel, activista político dos mais violentos, militando então num partido político da esquerda radical, nunca teve uma ideologia política partidária e depressa abandonou essa actividade. Em relação ao sexo feminino, apesar de muitas tentativas, nunca conseguiu gostar de outra rapariga e continua solteiro, mas triste. Depois da psicoterapia, conseguiu assumir que a culpa inicial tinha sido sua. Havia que expia-la.
Muitos anos depois, lendo bastante literatura relacionada com a Psicologia e compreendendo o porquê das coisas, Joel perguntou ao psicólogo que o apoiou nos tempos difíceis: “Psicopata. Eu?”
O seu problema fundamental era a inferioridade que sentia em relação a tudo, podendo desencadear, se fosse necessário, acções violentas para reduzir o mal-estar que sentia por causa desse seu problema. Era o reforço social negativo aleatório a funcionar como mecanismo de defesa ou como forma de resolver ou diminuir temporariamente as suas dificuldades.
O que fazia ele no centro das manifestações políticas onde a «quase violência» era mais intensa? Descarregava as emoções? Reduzia a sua sensação de inferioridade?
As provas psicológicas não deram indicações de psicopatia, mas aos psiquiatras também não tinha interessado que as mesmas fossem aplicadas. «Reduzido» o problema no momento, o que interessava era deixar o rapaz fazer a sua vida e «medicá-lo» só quando necessário, se acontecesse outro problema semelhante.

Prevenção e profilaxia eram postas de lado. Interessava apenas a «cura» momentânea. Por isso, foi o principal instigador da existência  do livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P)

O rapaz do tiroteio da Alemanha não foi apoiado na escola? Ninguém lhe notou comportamentos estranhos? Os pais não se preocupavam com ele e não notavam qualquer «desvio»? Que outra família tinha? Tinha vida social aceitável?
Na Áustria, também houve o problema do engenheiro que «engravidou» a filha e teve netos «quase sepultados», durante anos, na cave da própria casa onde morava mais gente. O «desconhecimento» do marido era tão grande que a própria mulher não sabia o que ele fazia? Que tipo de sociedade e de família?
A noiva de Joel não morreu asfixiada porque não calhou. Ele desmaiou primeiro. Se, por acaso, ela morresse de asfixia, não seria porque ele assim o quisesse mas sim porque tinha medo que fosse abandonado pela única pessoa que gostava dele.Só quando a acção psicoterapêutica o ajudou a analisar a sua vida anterior e a compreender e aceitar que ele era uma pessoa tão ou mais importante que todas as outras,
conseguiu deixar que ela orientasse a sua vida à maneira dela e com os conselhos recebidos, «fazendo o disparate» de se casar com outra pessoa com quem, por acaso, não é feliz mas onde o Joel não deseja interferir.
E se, sem a psicoterapia necessária, como reivindicação do seu desconforto actual e falta de compreensão, o Joel decidisse exercer vingança contra o psiquiatra «aconselhador»?
Do mesmo modo, com o jovem «atirador» da Alemanha, o que se terá passado antes e qual terá sido a causa desencadeante do seu comportamento? 

Lembro-me perfeitamente da Euterpe Alhandrense e da interacção mantida mais do que um mês com muitos jovens, agora adultos. Minha cara amiga, “estar aflita com o mundo de hoje” não chega nem conduz a coisa alguma. O importante é agir,
prevenir e ajudar a modificar. O mundo poderá vir a ser aquilo que nós quisermos e ajudarmos a acontecer.
Em pelo menos uma dezena de posts deste blog tive a oportunidade de abordar temas sobre modelagens, moldagens, reforços positivo, negativo, social, vicariante, aleatório etc., identificações e vários factores que podem condicionar a formação da personalidade e os nossos comportamentos do dia-a-dia. Quem tiver a paciência de os procurar e vontade de os consultar pode inteirar-se bastante sobre todos estes factores psicológicos que nos influenciam.
Por todos estes motivos, ajude os seus filhos a educar os deles o melhor possível, com bons exemplos, incentivos e reforços adequados. Pode ser que os seus netos contagiem os colegas e amigos evitando, em Portugal, «cenas» como as dos países «civilizados».
Com os macacos e os outros animais acontecerá o mesmo?
Diz-se que «cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém» mas, mesmo assim podem, às vezes, não ser suficientes.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.

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quinta-feira, 5 de março de 2009

RESPOSTA À PROVOCAÇÃO

"Caro colega de blog.
Gostámos da sua resposta ao nosso pedido. Não esperávamos que fosse tão rápida. Mas achamos que está incompleta. O que diz sobre hipnoterapia? E porque não fala sobre o modo de utilizar a imaginação orientada abordada nos seus livros? Por acaso, viu o programa dedicado ontem à HIPNOTERAPIA, na Sociedade Civil, no canal 2 da RTP, com um hipnoterapeuta e tudo?
CãoPincha
26 de Fevereiro de 2009 15:05 "


Consigo dar apenas hoje a resposta à vossa «provocação», acima transcrita, feita no comentário ao meu post AUTOTERAPIA, de 24 FEV 09, porque estive ocupado durante alguns dias a «trabalhar». Não sei se os amigos fazem o mesmo ou se se divertem a instigar os outros. Cá vai a explicação:

Senhores críticos CãoPincha.
Antes de tudo, devo dizer que grande parte das minhas respostas às vossas perguntas estão dadas em posts anteriores e em livros que tenho mencionado.
Vi com gosto a sessão da Sociedade Civil do dia 25 Fev e gostei da intervenção de Carlos Lopes Pires, bem como da defesa dos seus pontos de vista, com a maioria dos quais estou plenamente de acordo.
Mas, indo por partes, vou tentar dar mais esclarecimentos.

Tentando responder às vossas dúvidas posso dizer que a hipnose pode ser útil para o próprio quando deseja resolver certas dificuldades psicológicas ou pretende não sentir algumas dores etc., como quando necessita de anestesia ou procura melhorar as suas capacidades.
Contudo, pode ser muito útil para alguns, que tentam «viver» à custa da mesma, independentemente dos benefícios ou malefícios que possa produzir no utente. Dizer que existe uma hipnoterapia é compará-la, segundo o vosso discurso, com a bisturiterapia. Se é assim, concordo plenamente e já referi isto nos meus livros. Caso contrário, há algo de errado.

O mais importante é saber quem vai «aplicar» a hipnose, em que condições e qual a competência do seu «operador». Este assunto foi bem explicitado por Carlos Lopes Pires e também por Paulo Fonseca, jurista da DECO, na aludida sessão HIPNOTERAPIA, da SOCIEDADE CIVIL, de Fernanda Freitas, no canal 2 da RTP, na tarde do dia 25 FEV 2009.
Em relação à imaginação orientada, não posso estar a explicar o assunto num blog porque tem muitas implicações que devem ser tomadas em conta durante a sessão terapêutica, sempre em consonância com a pessoa que está a ser apoiada. Como não estou presente para «controlar» a situação, acho que não devo dizer mais sobre o assunto.
Essa aplicação, além de conhecimentos gerais e estudos a um nível razoável, exige conhecimentos aprofundados, pelo menos, de hipnose, da psicodinâmica, de psicopatologia, de pedagogia e de modificação do comportamento, para além de uma sensibilidade bastante aprofundada de toda a situação.

Contudo, é inócuo e óptimo que uma pessoa, em tentativa de autohipnose, tente recordar os momentos mais agradáveis da sua vida. Isso sempre lhe pode proporcionar momentos de prazer e provocar algum reforço positivo incitando a continuar as técnicas utilizadas. Uma «musiquinha» do agrado de cada um pode ajudar a começar o aludido relaxamento, servindo de estímulo condicional.
Além de dedicar quase todos os meus livros, com «casos», a situações terapêuticas e pedagógicas, posso dizer que em Para Que Serve a Psicologia?, as páginas 53 e seguintes referem-se a este assunto.
Os posts deste blog intitulados O Sindroma Pós-Traumático, A Hipnoterapia, Stress, Fobia, Enurese, Modificação do Comportamento, Reforço do Comportamento Incompatível, Dificuldades no Comportamento, Ameaça de Suicídio referem-se mais especificamente a muitos procedimentos que se podem utilizar sem a hipnose ou com a sua comparticipação. Depende das circunstâncias, dos intervenientes e das situações.
Julgo que dei alguma visão sobre aquilo que penso sobre o assunto para além dos livros que me dizem ter lido. Boa «digestão» de toda esta mistura.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.

Consultou todos os links mencionados neste post?

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

AUTOTERAPIA

Quando «passeava», por acaso, pelos comentários feitos no meu blog, vi no post O SINDROMA PÓS-TRAUMÁTICO, escrito hoje, o dos CãoPincha, que vai ser satisfeito, de imediato, porque é só copiar e colar. Agradeço o comentário transcrito a seguir, mas tenho de dizer que nunca me passou pela cabeça fazer uma coisa semelhante porque já alguém se insurgiu contra mim dizendo que estava a «impingir» livros (INFORMAÇÃO, 20 JUL 2008), através do meu blog o que deu origem ao post ESCLARECIMENTO (22 JUL 2008).


Oh Meu!
Já lemos alguns livros seus para além dos que menciona neste post. Consultando melhor o seu
blog, ficámos a saber que não faz hipnoterapia mas sim psicoterapia que se pode tornar barata e quase autónoma como já aconteceu com um amigo seu e uma vizinha dele. Porque é que não diz como se faz em vez de esperar pela publicação dos livros com os casos? Até um chinês já explicou no seu blog como poupar dinheiro.
Viu a TV hoje?

No meu post DESORIENTAÇÃO, de 06 JUL 2008 e em talvez qualquer outro já disse que estou à espera de publicar, além de outros, pelo menos dois livros com casos pessoais de um amigo e de uma vizinha dele, amiga da filha, mostrando como se pode fazer quase uma autoterapia e quais as vantagens quando existe o envolvimento do próprio.

Não é fácil mas é barato. Torna-se eficaz, autosuficiente e profiláctico seguir este método quando a ida às consultas se torna difícil ou inviável, quaisquer que sejam as razões.
Tudo isto está mais ou menos descrito nos livros, já várias vezes mencionados neste blog: DEPRESSÃO? Não Obrigado, «STRESS»? Reduza-o Já!, Psicoterapia para Quê?, que descrevem as reacções dos intervenientes.
No Sucesso na Vida! Por Que Não?, no capítulo A Reacção da Cristina, ficou mencionado todo o procedimento que vou «transcrever» (copiar e colar) aqui, a pedido dos CãoPincha, para que todos o possam utilizar, quando entenderem, sem adquirir qualquer livro.
O procedimento é simples e não exige tempo específico nem instrumentos especiais.

Como geralmente não temos disponibilidade de tempo durante o dia, vamos aproveitar o momento de ir dormir. É esse o momento que vale a pena aproveitar para a terapia que proponho. Se houver mais disponibilidade, paciência e tempo pode ser feita também uma autoanálise e/ou um diário.
Por isso, segue-se o aludido copiar e colar, partindo do pressuposto que a psicoterapia é um processo essencialmente reeducativo, de modificação de mentalidades e comportamentos, por acção voluntária e quanto mais esclarecida melhor.
 
lºAprofundar bastante os conhecimentos sobre Psicologia e Modificação do Comportamento tendo sempre em conta que se pode alterar satisfatoriamente a nossa maneira de agir desde que se queira e se tenha, para isso, uma acção racional e concertada. Nestes casos, é sempre bom ter alguém que nos observe objectiva e imparcialmente, nos ajude a conhecermo-nos melhor e, se possível, nos apoie na execução das acções mais apropriadas. Embora existam agora diversos livros muito simples e simplificados, mencionados na Bibliografia no final deste livro, houve necessidade de emprestar à Cristina, naquela ocasião, alguns textos de apoio sobre estas matérias utilizados em aulas de Psicologia e Psicopatologia. 

2º
Aprender a reconhecer as dificuldades, registando a intensidade e a frequência com que se sentem
(ver COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO - Prática).
Por exemplo,
- “Se pensarmos todos os dias, durante algum tempo, de manhã e à noite que vamos morrer, podemos registar isto em números e frequências:”

Dia 18 FEV às 08.30, três vezes; às 21.15, três vezes
Dia 19 FEV às 08.00, duas vezes; às 20.15, sete vezes
Dia 20 FEV às 09.30, uma vez; às 23.00, duas vezes
Dia 21 FEV às 10.30, uma vez; às 22.15, uma vez
Dia 22 FEV às 08.30, duas vezes; às 20.15, três vezes
Dia 23 FEV às 10.45, uma vez; às 22.15, duas vezes
Dia ...
Dia ...

Poderíamos também registar:
- “Quantas vezes ou minutos, por dia ou hora temos pensamentos obsessivos, isto é, pensamentos que não desejamos mas que não nos abandonam e até provocam uma certa angústia?”
- “Quais os pensamentos obsessivos?”
- ….
Apenas este registo, mantido durante bastante tempo, pode conduzir a hipóteses de trabalho muito interessantes.
Pode ajudar a especular, por exemplo:

· Será que quando os pensamentos obsessivos ocorrem no fim da manhã ou da tarde, têm menos força ou são menos frequentes?
· O que aconteceu nas manhãs e tardes de 20, 21 e 23 de Fevereiro?
· Se nos conseguirmos recordar que no dia anterior estivemos a trabalhar até tarde, muito preocupados com o serviço e acordamos com esta preocupação, podemos concluir que talvez qualquer ideia relacionada com o serviço nos ajude a diminuir os pensamentos obsessivos?

3ºAprender a «relaxar», isto é, deixar que as coisas aconteçam.
Antes de tudo, garantir que ninguém interrompa o relaxamento. Por isso, interessa desligar a campainha da porta, o telefone, os telemóveis, ou qualquer outro equipamento que obrigue a uma distracção brusca.
Depois, apenas se for necessário, utilizar o conta-minutos ou um temporizador regulando-o para um período mínimo de 30 minutos. É melhor se puder ser por um tempo mais prolongado. Se o relaxamento puder ser feito no momento de ir dormir, melhor ainda.
Deitar-se na cama, no chão, ou estender-se numa cadeira confortável e, de olhos fechados, sem os forçar muito, começar a sentir as pontas dos dedos das mãos, dos pés, os braços, as pernas, os músculos das costas, dos ombros, do peito e todos as outras partes do corpo. Interessa «tomar conhecimento», de todas as partes do corpo, lenta e sequencialmente, sem existir preocupação específica na ordem estabelecida ou conseguida: cada uma destas partes está quente ou fria? contraída ou descontraída? bem ou mal colocada?
Continuar este exercício sem ninguém no local a fim de se poder manter um silêncio total. Concentrar toda a atenção no corpo e senti-lo muito bem, em qualquer sequência, mas em toda a sua extensão, concentrando também a atenção no pescoço, na nuca, nas faces, na testa, nos olhos, etc., assim como na respiração e no ar que entra e sai pelo nariz. Lentamente e à medida que o tempo passa, a respiração passa a ser profunda, lenta, calma. Quando apenas se «toma conhecimento» do que se passa connosco e não se força o relaxamento, o corpo vai ficando mole, descontraído, relaxado.
É importante não interromper este exercício nem sair abruptamente do sítio onde se encontra. Quando tiverem passado cerca de 30 minutos ou mais, levantar-se suavemente erguendo o corpo devagarinho, como nas ocasiões de convalescença.

Se, por acaso, como mais valia, este relaxamento puder ser feito à hora de dormir, não é necessário sair da cama. Entretanto, realça-se que o mais importante são os primeiros 5 a 10 minutos, a partir dos quais, a pessoa pode até começar a dormir o que seria muito bom para uma futura prática de psicoterapia.
Tudo aquilo que aqui se propõe a partir dos primeiros 5 minutos de relaxamento é para o caso da pessoa não estar ainda a dormir, devendo até ficar satisfeita que isso aconteça.
Entretanto, vale a pena deixar que as imagens, as ideias, as recordações, os sons, se afastem e desvaneçam criando uma espécie de vazio.

4º
Nunca interromper o relaxamento bruscamente. No fim do relaxamento, ter o cuidado de tomar apontamentos sucintos dos pensamentos, sonhos, recordações, ou quaisquer ideias fora do vulgar, mesmo que pareçam absurdas e disparatadas. É bom fazer o mesmo em relação a quaisquer recordações, imagens, medos, etc., ocorridos durante o dia. Se as recordações tiverem desaparecido da memória voltarão mais tarde e podem ajudar a fazer uma rápida «terapia de profundidade». Não é necessário fazer um esforço especial para reatar os pensamentos que surgirem durante o relaxamento.

5ºReservar numa determinada parte do dia, cerca de 10 a 20 minutos para escrever a fim de se conseguir efectuar uma «auto-análise». O procedimento é simples. Desligar o telefone, a campainha da porta, etc., se for necessário, do mesmo modo como
deve acontecer no relaxamento descrito no 3º ponto, a fim de não haver justificações para uma interrupção.
Determinar a quantidade fixa de tempo que deseja escrever todos os dias.
Sentar-se num local calmo tendo junto de si mais do que o dobro de folhas de papel que puder preencher com a sua escrita durante esse tempo, além de três lápis ou esferográficas, para a eventualidade de alguma delas deixar de funcionar. O papel, conforme o desejo e as posses de cada um, pode ser pautado, branco ou até de rascunho, já utilizado num dos lados, mas convém que esteja previamente furado, se necessário, para ser fácil e rapidamente arquivado após a utilização. Ter também à mão a capa onde essas folhas serão arquivadas
Regular o despertador, o temporizador ou o conta-minutos para o tempo estipulado e, depois de mencionar sempre a data no topo da folha, começar a escrever sem parar, tudo o que vier à memória.
Pode, por exemplo, acontecer que a pessoa não se lembre de nada. Neste caso escreve, muito simplesmente, as vezes que forem necessárias: “Não me lembro de nada”. Pode, às vezes, a folha ou as folhas ficarem totalmente escritas com: “Não me lembro de nada”. Por este motivo, se a caneta estiver «ligada» ao cérebro, como se deseja, a quantidade de folhas escritas ou preenchidas em cada dia será quase sempre idêntica, porque a pessoa nunca irá parar de escrever para pensar e «elaborar» a escrita.
No final do tempo estipulado, quando o despertador tocar, interromper a escrita sem tentar acabar a frase que estiver incompleta e guardar as folhas preenchidas sem as ler. Devem ficar bem guardadas numa pasta para as furtar aos olhos dos curiosos.
Mais ou menos ao fim de três meses desta «escrita» ou «auto-análise», num dia de semana pré-determinado, antes da hora prevista para a escrita diária, ler o que
escreveu durante a primeira semana e arquivou cuidadosamente na pasta ou capa apropriada. No final da leitura, fazer a escrita do dia com o tempo já definido.
Posteriormente, no mesmo dia da semana, antes do exercício diário de escrita, ler o material escrito durante a segunda semana. Continuar assim nas semanas seguintes.
Como é bom continuar este exercício durante muito tempo, ao fim de um ano, seleccionar o material escrito nos primeiros seis meses e, num outro dia de semana, lê-lo antes de começar a escrever. Ao fim de mais meio ano, seleccionar o material dos seis meses seguintes e lê-lo e assim por diante, de seis em seis meses.

Em 2018, já existe na colecção da Biblioterapia o 18º livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), destinado a orientar os interessados para a leitura e consulta adequada de livros, desde que desejem
enveredar por uma psicoterapia, acções de psicopedadogia, de interacção social e de desenvolvimento pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda de especialistas.

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